Aula anterior, 17/08

Relatoria da aula de OPB do dia 24/08


Próxima relatora: Adaci


(Cheguei 15 minutos atrasada, então relatorio a partir das 8h30)

Discussão do conhecimento e suas formas

O conhecimento é acumulado, na sua concepção tradicional. Mas há muitas formas de conhecer, de organizar a experiência: o mito, o senso comum, a filosofia, a arte e a ciência.

O que é mito? Sugestões apresentadas:
- Conhecimento sem base científica, como o senso comum?
- "Moral da história", ensinamentos éticos?
- Resultados das experiências acumuladas?
O mito apresenta-se nas estruturas de narrativas antigas, como as lendas, fábulas, narrativas mágicas, ancestrais. Sem comprovação científica, não calcada na realidade.

O senso comum é o uso espontâneo da razão, influenciado pela memória, imaginação, tradições. Tende a ser mais racional que o mito. Calcado na realidade, mas sem comprovação científica.

Exemplos de mitos apresentados: saci, caverna de Platão, literatura grega, boto cor-de-rosa, lendas indígenas.

Exemplo de senso comum: a crença de que blusa preta esquenta.

O programa Mythbusters é um exempo de tenativa de submeter o senso comum às provas da metodologia científica.

A filosofia é a mãe de todas as formas de conhecer o mundo. Consiste em uma forma de indagar o mundo, baseada nos conhecimentos que já se tem. Calcada em hipóteses. Apresenta visão “holísitca” do conhecimento, sem separações de – visão que permaneceu até cerca da Alta Idade Média, até o Renascimento. Volta-se para qualquer objeto. Busca entender, explicar, ver tendências, a partir de fatos, realidade. Baseada em fenômenos existentes, relacionáveis.

A arte tem a ver com a filosofia, mas não é concreta. Consiste numa forma de organização da experiência calcada na emoção, não necessariamente espelhada em nada, sem compromisso nenhum com a realidade explícita.

A ciência procura desvendar a natureza a partir das relações de causa e efeito. Busca se descolar das outras quatro formas, baseando-se na objetividade. A ciência clássica é empírica, repetível, como as ciências duras: busca repetir a mesma experiência em condições controladas, procurando o mesmo resultado. Exige interferência mínima do pesquisador. As ciências humanas e da saúde têm problemas com essas definições.

Na metodologia científica, o problema deve ser claramente exposto, seguido de elaboração de hipóteses e sua comprovação ou não. As ciências são cíclicas: se a hipótese não satisfaz o problema, necessita-se retrabalhá-la, reelaborá-la.

A ciência sustenta-se na replicação de procedimentos, na objetividade, na distância do objeto pesquisado (afastando-se da paixão natural entre pesquisador e objeto de pesquisa). Daí a necessidade de normalização.

As ciências mais antigas são as ciências duras, em especial a matemática, que surgiu junto à filosofia. As outras ciências exatas e da saúde surgiram como ciências independentes, fora do "corpo geral" chamado filosofia, apenas posteriormente, entre Alta Idade Média, Renascimento e Revolução Industrial. Ciências como a economia, psicologia e sociologia são absolutamente recentes, de cerca de 100 anos atrás, tornando difícil sua aceitação pelas hard sciences, porque são jovens, sem ou com pouca tradição, sem métodos replicáveis.

Algumas definições importantes

Métodos replicáveis: ambiente controlável, experiência idêntica repetível. O conceito de “laboratório” é um produto dessa premissa. As artes, por exemplo, e as ciências sociais aplicadas, têm dificuldade com esse conceito. Raramente um artista pinta um mesmo quadro, ou consegue um mesmo efeito com os mesmos materiais.

Revisão de literatura ou estado de arte. Consiste no levantamento do que outros autores reconhecidos já escreveram e desenvolveram sobre determinado problema, para elaboração de hipótese. O estado de arte não é, necessariamente, o mais recente sobre o assunto. É apenas um levantamento bibliográfico, que dependendo do seu objeto e problema, sofrerá um recorte diferente: literatura mais recente, mais antiga, meio do caminho. Ao permitir uma melhor caracterização do objeto de trabalho, a revisão também oferece subsídios para a justificativa, ou o estabelecimento da importância da pesquisa: seja criar algo novo ou explorar problemas que já foram reexplorados muitas vezes. Muitos trabalhos acadêmicos não são inovadores; de qualquer forma, é sempre necessário a revisão bibliográfica.

A ciência trabalha com a dúvida, não com certezas. Para estruturar a dúvida, são necessárias as normas, as revisões, as citações, as autoridades. Trabalha com a desconstrução da certeza, para depois construir leis ou teorias (generalizações, bastante comuns na ára das ciências duras), ou considerações finais. A revisão bibliográfica trabalha para isso, conhecer o problema, o tema, e saber direcioná-lo. Permite abandonar, modificar, confirmar algum tema ou enfoque, para a correta estruturação da dúvida a se trabalhar.

Reorganização do cronograma
Não haverá aula no dia 31/08. Assim, atividade desse dia (leitura de monografias anteriores para discussão) foi transferida para o dia 14/09, quando acontecerá a discussão e será entregue (como anteriormente programado) a resenha de um livro sobre metodologia da pesquisa. Foram apresentadas algumas de monografias anteriores, como exemplos.


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Relatoria da aula de RI de 24/08

Próxima relatora: Adaci

Alteração do cronograma

Também não haverá aula no dia 31/08. Para o dia 14/09, somada à atividade de relatório de visita à Biblioteca da ECA, deve ser feita a leitura dos guias produzidos pelas turmas anteriores, para discussão. Houve apresentação de alguns guias como exemplos.

Fontes de informação

Fontes de informação são qualquer objeto que possa ter nele um registro. Todos têm um suporte “físico”: papel, pedra, pergaminho, filmes, películas, até chegar aos disquetes, CD-Roms, DVDs, pen-drives.

Documento é qualquer tipo de registro em qualquer tipo de material. Num museu de antropologia, uma série de pedras encravadas é um documento. Apresentam por natureza dois tipos de características, as extrínsecas, que são inerentes à forma do documento; e as intrínsecas, que são inerentes ao conteúdo do documento.

No universo do digital, diz-se que a forma afeta o conteúdo: o meio é a mensagem, conforme McLuhan. Assim, o meio pode ser uma linguagem. A representação descritiva, por exemplo, trata das características extrínsecas, da descrição da forma. Algumas coisas podem ser tanto forma como conteúdo: por exemplo, na poesia, a forma determina o sentido, o conteúdo.

O conceito de autenticidade de um documento se sustenta principalmente em vista de obras raras, edições especiais, etc., porque num ambiente de produção massiva ele se torna mais complexo e difícil de marcar. No ambiente digital, ele é indefinido: a qualidade de um produto não é afetada por sua reprodutibilidade, pois ele é múltiplo por definição.

A confiabilidade está bastante ligada à autenticidade também. Envolve uma gradação de três níveis: a fonte primária, que é a obra em si; a fonte secundária, que faz referência à fonte primária, por citação, resumo etc.; as fontes terciárias são as que citam as secundárias, que são referências às obras de referências. São os diretórios, por exemplo. Os motores de busca podem ser considerados diretórios.

As obras de referência são os dicionários, enciclopédias, Atlas, entre outros. Em geral, são as primeiras fontes de contato com algum tema, embora sejam fontes secundárias e terciárias. Têm características específicas de organização de conteúdo.

Exemplos de enciclopédias: Barsa, Britânica, Conhecer, Alamanaque Abril, Folha, Mirador, Larousse. Recebem os nomes das casas editoras que as publicam. As enciclopédias são produto de trabalho de equipes multidisciplinares, de projetos longos, criando confiabilidade a reboque das casas editoras. A solidez da casa editora garante a fonte da informação, a credibilidade.

A questão da confiabilidade nas obras secundárias e terciárias é fundamental. As enciclopédias da Larousse ou da Britânica, por exemplo, têm mais confiabilidade que a da Folha, porque são casas editoras de tradição acadêmica. Uma obra secundária ou terciária fornece uma primeira informação sobre algum tema, para que depois se aprofunde. Tem, portanto, a responsabilidade de introduzir um assunto ao leitor. Enciclopédias como a Wikipedia, por exemplo, que não se conhece a autoria da informação, apresenta baixa credibilidade, e, portanto não pode ser usada isoladamente, como fonte única de informação.

No caso das revistas científicas, a confiabilidade é dada pelos conselhos editoriais e pela revisão por pares (peer-to-peer). Um artigo recebido pela revista vai ser lido por pelo menos três pessoas, sem conhecimento da autoria (blind review), e deve ser aprovado por eles antes de ser publicado.

Outro aspecto importante é a periodicidade de atualização. As enciclopédias impressas, em geral, publicam atualizações anuais em um volume, comumente chamados “livros do ano”.

Explosão da Informação

A partir do século XVII, inicia-se a chamada explosão da informação, com a publicação dos primeiros periódicos científicos e a importância crescente de congressos e eventos. No século XIX, surgem as publicações de abstracts, ou resumos, pois se tornou impossível conseguir ler todas as publicações originais. A Documentação surgiu justamente pra dar conta do volume de informação cada vez mais crescente, com Paul Otlet, criador dos primeiros organismos internacionais de controle bibliográfico. Combatia a visão preservacionista da biblioteconomia em prol do acesso ao conteúdo do documento. Surgem as ferramentas de automatização, que explodem no século XX, dos anos 60 em diante, com a chegada dos microcomputadores nas décadas de 80 e 90 e o surgimento da web.

Informação e comunicação

A informação está integrada a um processo de comunicação. O conceito clássico apresenta a informação no modelo Emissor >> Canal >> Receptor. Esse modelo não se aplica ao ambiente da web, onde muitos podem falar para muitos, diferentemente dos modelos tradicionais.

Os canais dividem-se em formais e não-formais. Livros e artigos científicos são os canais formais, convencionais; os não-formais são chamados literatura cinzenta, a não prevista, não controlada: teses, relatórios. Esses conceitos também não se aplicam para o modelo digital.


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