Postagem realizada em: 15/03/2012 às 14:34:34 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Jessica Manfrim de Oliveira
RESENHA: PASSARELLI, Brasilina. O Bibliotecário 2.0 e a Emergência de Novos Perfis Profissionais. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação, v. 10, n. 6, dez/2009.
O artigo trata das novas competências que o profissional bibliotecário deve ter para atuar nas redes sociais e das novas formas de aprender e produzir conhecimento. Traz uma pesquisa de campo baseada nas grades dos cursos de graduação em biblioteconomia da Universidad Carlos III (Madrid) e da ECA-USP.
A teia que a todos envolve
As universidades européias já estudam uma maneira de criar espaço para o desenvolvimento do corpo discente na capacidade de crítica e visão globalizada para enfrentar da melhor forma as exigências do mercado de trabalho. O Protocolo de Bolonha visa maior intercâmbio entre a comunidade acadêmica. Os currículos de graduação e pós-graduação estão focados na aquisição e desenvolvimento de competências exigidas pelo mercado, possibilitando também uma dupla titulação. No Brasil, esse modelo de currículo ainda está em fase inicial de desenvolvimento.
A WEB 2.0 e as redes sociais
A Internet com o hipertexto e sua comunicação humana virtualizada permitiu a desintermediação do mercado, proporcionando instantaneidade das ações e decisões dos produtos e dos conhecimentos. A introdução do PC desenvolveu novos conceitos e saberes tais como digital literacy (literacia ou alfabetização digital) e information literacy (literacia ou alfabetização informacional). Nesse contexto, os bibliotecários precisam desenvolver novas competências para atuarem como gestores da informação em ambientes virrtuais, já que as bibliotecas com acervo físico concorrem diretamente com acervos digitais contendo informações a "custo zero" e com acesso imediato. A questão dos autores coletivos faz repensar o papel de editores e bibliotecários também.
Tecendo Futuros: a WEB 10.0
Nos últimos 5 anos estamos na geração WEB 2.0 marcada pelas redes sociais e folksonomias (sites onde usuários agregam valor a conteúdos com valoração pessoal). Kevin Kelly afirma que a Internet é a rede das redes e também a mídia das mídias, para onde todos os suportes convergem. Para esse autor a informação que não for compartilhada perderá importância. Esses são os princípios da WEB 10.0 (título da palestra de Kelly em 2008). David Weinberger argumenta a liberdade de ação na WEB cria o poder de organizar conteúdos e saberes seguindo critérios próprios de classificação e ordem através de tags, bookmarks, playlists e weblogs.
Nesse contexto, o desenvolvimento das redes de comunicação e das intereções geram impactos no trabalho e na aprendizagem também. O site brasileiro NeoReader compartilha conteúdos impressos digitalizados e várias empresas vêm investindo no site e usando seus serviços (Livraria cultura, Cobertores Parahyba).
As WEBOrganizações e a Gestão do Conhecimento
Teorias sobre gestão do conhecimento mostram como etapas de transformação do conhecimento tácito (produzido pelo indivíduo) em conhecimento explícito (externalizado em textos ou programas), a criação, refinamento e implementação. Para Lorna Heaton e James Taylor, o processo de construção do conhecimento deve ser mais coletivo do que individual, refletindo as práticas da comunidade. Isso acaba por redefinir as relações de poder nas organizações, baseadas na horizontalização das relações de poder na WEB.
O profissional da informação na sociedade do conhecimento
As novas competências organizacionais propostas por especialistas são: flexibilidade, inovação, horizontalidade, criatividade, agilidade, compartilhamento de informação, aprendizagem, gestão do conhecimento, planejamento participativo, empowerment e estratégia competitiva. No Brasil, os profissionais da área apontam como competências necessárias: conhecimento interdisciplinar e especializado, capacidade de contextualização e conceituação, conhecimento da demanda ou do cliente, domínio de ferramentas e de tecnologias da informação, adaptação, flexibilidade, gerenciamento, lidar com conflitos, relacionamento interpessoal, ect. O mercado de trabalhos para os profissionais da área também se ampliou, passando da esfera governamental para a não-governamental.
O profissional da informação e a classificação brasileira de ocupações (CBO)
Segundo a Classificação brasileira de Ocupações, o bibliotecários ganhou novas denominações: bibliógrafo, cientista de informação, consultor de informação, especialista de informação, gestor de informação.A CBO também lista as competências exigidas do profissional da informação: estar atualizado, liderar equipes, capacidade de análise e síntese, idiomas, boa comunicação, capacidade de negociação, ética, organização, capacidade empreendedora, raciocínio lógico, concentração, proatividade, criatividade. As escolas de biblioteconomia preparam para dessa demanda? Esse é o desafio: adequar a grade curricular de carreiras tradicionais ao perfil da geração Net (nativos digitais – nascidos a partir de 1994).