Atividade Externa 1: RESENHAS


Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação


Atualmente o crescente fluxo de informação disponível em diferentes suportes tecnológicos, sobretudo na Web, fez surgir a discussão acadêmica acerca dos conceitos de autor e autoridade, trazendo respostas que muitas vezes se constituem como revolução ao que antes tinha se estabelecido.

Passarelli (2008) inicia seu texto apontando
Paul Otlet como precursor histórico da ideia de controle da informação bibliográfica mundialmente produzida, do conceito de hipertexto, bem como criador de termos como web of knowledge e link. Neste sentido, o Mundaneum idealizado por ele pode ser considerado a Internet em fichas de papel.

Nos anos 60, o pesquisador da Universidade Brown, Theodore Nelson, cunhou o termo hypertext (hipertexto), vindo a influenciar outro pesquisador inglês Tim Berners-Lee, que em 1989, desenvolveria a rede Internet. Entretanto, devido processos sociais, políticos e econômicos da época fizeram surgir uma nova estrutura social dominante, a sociedade em rede (Castells, 1999), e assim uma nova cultura: a da virtualidade real.

Outro nome nesta área de atuação foi Berners-Lee, criador e administrador do World Wide Web Consortium (WWWC) - um modelo aberto baseado na neutralidade e igualdade de acesso na rede.

Desde então pode-se destacar consensualmente pelo menos três gerações da Web:


  • Web 1.0 - para designar a primeira geração comercial da Internet com conteúdos de baixa interatividade;

  • Web 2.0 - atual, caracterizada por redes sociais, sites onde os usuários agregam valor a conteúdos com valoração pessoal (folksonomias), ferramentas para compartilhamento de vídeos (YouTube), site de relacionamento com blog, forums, email, grupos, jogos e eventos (MySpace, Bebo, etc), geração a publicação automática de conteúdos (Wikipédia) e do ambiente virtual que integra jogos a diferentes formas de interação cultural (Second Life);

  • Web 3.0 - denominada Web Semântica (Tim Berners-Lee, anos 90), com maior capacidade de busca e auto-reconhecimento dos conteúdos, através de metadados e com descrições ligados aos conteúdos originais. O artigo descreve alguns exemplos como o Piggy Bank, que armazena trechos importantes de informações em servidores próximos para que os usuários possam se utilizar destas informações de formas novas. O Amazon Mechanical Turk, por outro lado, funciona como uma espécie de agência de recrutamento de pessoas por hora para agregar valor a informações. Ainda há o Google Image Labeler, que convida pessoas para indexar fotografias digitais de acordo com seus conteúdos.

Com toda essa quantidade de recursos dispostos na internet, torna-se imperativo um novo desafio a ser superado, como o acesso e comunicação da informação, informal, e científica. Isso se deve a existência do hipertexto, que possibilita o acesso de links e trechos de um documento para outros documentos, de maneira infinita, instantânea e interativa.

Esse dado foi chamado no texto de narrativa não-linear, ao qual possibilita espaço para a discussão de autor e autoridade, principalmente no que se refere a comunidade científica, que demoram em entrar em consenso quanto ao acesso. O maior exemplo dessa situação é o Wikipédia, a enciclopédia on-line dos coletivos digitais aberta.

Ted Nelson, filósofo e sociólogo, observa a necessidade de uma recolonização do ciberespaço, mostrando que para a existente guerra entre os detentores de copyright e as pessoas que querem roubar seu conteúdo, a solução mais viável, por ele proposta se tratava do transcopyright, isto é, uma licença para livre utilização de conteúdos online, trechos de uma obra e mescla com outros, a fim de se criar um novo documento, desde que sejam mantidos links para os documentos originais e assim se possa cobrar pelos trechos utilizados.

Acima de tudo, o futuro aponta para mudanças ainda mais profundas para a ciência da informação, como de apreensão e significação da noção de acervo, visto que para muitos acessar tornou-se possuir. Sendo assim, a Web mostra que não há mais como manter os mesmos padrões de disponibilização de documentos, mas descobrir outras formas de utilização que garanta o direito ao acesso, como também do autor.

 

Novos Perfis para Profissionais da Informação

 

O texto constituí um aparato dos resultados parciais de pesquisa acerca do estado da arte nas redes sociais e das novas formas de aprender e produzir conhecimento, a fim de mapear as novas competências exigidas ao bibliotecário para atuar neste contexto de sociedade em rede. Para tanto, estudou-se as grades curriculares da graduação em biblioteconomia das Universidades brasileiras, a gestão de bibliotecários e uma revisão da literatura.

Dessa forma, este estudo serviu para iluminar a concepção deste profissional da informação tendo em vista as necessidades da sociedade brasileira em relação com a espanhola.

Desde a criação da Documentação com Paul Otlet, passando pela criação do hipertexto com Theodore Nelson, até o fluxo tecnológico, linguagens, processos e valores existentes hoje, a sociedade tem vivido com a transitoriedade cognitiva (apreensão do conhecimento) e cientifico-tecnológica (o contato com as mais diversas tecnologias de informação influenciam todos aspectos da vida).

Por outro lado, a biblioteca entra em dilema com a entrada e necessidade informacional disponível em diferentes suportes, principalmente os digitais e virtuais, bem como os buscadores populares. O fato é que este espaço cultural não pode se marginalizar das influencias da sociedade em rede, que também acaba por romper com o tradicional papel do bibliotecário e até mesmo surgir outras denominações, como bibliógrafo, biblioteconomista, profissional da informação, analista de informação/ documentação, cientista/ consultor/ especialista/ gestor/ gerente da informação, entre outras.

No Brasil esta área foi grandemente influenciada pelo modelo norte-americano, e segundo especialistas da informação as competências requeridas hoje aos profissionais da informação vai além do conhecimento técnico, faz-se necessário

“conhecimento interdisciplinar e especializado; capacidade de contextualização; capacidade de conceituação; conhecimento da demanda ou do cliente; domínio de ferramentas e de tecnologias de informação; adaptação ao novo, flexibilidade e abertura às mudanças; capacidade de gerenciamento; lidar com contradições e conflitos; relacionamento interpessoal, excelência na comunicação oral e escrita; lidar com as diversas habilidades funcionais; capacidade de aprendizado próprio e de facilitar o aprendizado dos outros; ser ético, proativo, empreendedor, ter energia, criatividade, consciência coletiva e visualizar o sucesso.” (Dias 2004 [28]; Tarapanof, 2002 [29]).

Outro aspecto da área ainda é a expansão de atuação desses profissionais, pois com o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico das últimas décadas, surgem novas oportunidades de inserção no mercado de trabalho, em diversas áreas, como governamental, publicidade, departamentos jurídicos e advocacia, hospitais, editoras, bancos, indústrias, provedores de internet, livrarias, emissoras de televisão, jornais, entidades do terceiro setor, consultoria (caso seu objetivo seja o de ser um empreendedor), organização ou preservação de acervos e sistemas de informação, públicos ou privados.

 

Atores em Rede: Olhares Luso-Brasileiros

 

Literacias emergentes nas redes sociais: estado da arte e pesquisa qualitativa do Observatório da cultura digital

É fato que comportamento individual e social frente às novas mídias e tecnologias altera todos os aspectos humanos, industriais, de consumo e mercado, gêneros e públicos, entre outros.

Não é diferente com a cultura, pois o avanço das ciências e disciplinas permeado pelo fluxo informacional e tecnológico transformaram as formas de se comunicar na sociedade em rede. Sob esta perspectiva, a então chamada cultura digital, ou cibercultura, tem se tornado cada vez mais complexa.

Em primeiro lugar, com a popularização da sociedade em rede surgem outras discussões, como os dos conceitos copyright (autoria individual/ propriedade) versus copyleft (difusão e repositórios abertos), e relações de poder (vertical) e horizontal (relações e interações da web); bem como das comunicações on-line, mediada e científica. Atualmente, a informação tornou-se domínio de conhecimento e de poder da web, território esse de concepção de ideias e compartilhamento.

Depois, sob este contexto, têm-se as tradicionais formas de produzir e apreender arte, cultura e conhecimento, em paralelo com os novos estados da arte influenciado pela cibercultura. A estes últimos, Passarelli aponta pelo menos três gerações de pesquisa e análise: a primeira que configurou uma descrição jornalística da cibercultura, a segunda pesquisas e interpretações com base nas comunidades virtuais e identificação online, e a terceira, estudos mais críticos do estado da arte na cibercultura.

Nesse sentido, para se entender a sociedade em rede deve-se estudar e pesquisar o contexto digital, e construir narrativas possíveis pensando sempre no território que está em rede, analisando seus flexíveis e eixos sociais, técnicos e sociotécnicos, instaurando uma etnografia virtual. É isso que faz os pesquisadores do Observatório da Cultura Digital, da Escola de Comunicação Arte (USP), ao mapear a área de concentração de “Interfaces sociais da comunicação”, em programas institucionais, sites e ferramentas da web, que configuram coletâneas possíveis de serem desvendadas em pesquisas.

No mundo, esses indicadores e locais de conectividade vêm penetrado em todos os continentes e crescido nos países emergentes. Já se pode falar em geração de nativo digital enquanto ainda reside a questão da inclusão digital, que acabam atraindo programas e práticas sociais e educacionais, a fim de ter condições de competir globalmente.

Por outro lado, surge o conceito de literacia digital, que abrange as competências do usuário para explorar o potencial multimídia disposto socialmente, isto é, segundo Gilster é a “habilidade de entender e utilizar a informação de múltiplos formatos e provenientes de diversas fontes quando apresentada por meio de computadores” (p.74). Sobretudo, a literacia depende de inúmeros fatores cognitivos, culturais, sociais e até mesmo, econômico e político.

Tapscott reconhece o aspecto negativo da sociedade em rede: o consumo online, que traz consequentemente humanas muito graves, como “falta de atividade física, exposição exacerbada e perda do senso público e privado; falta de autonomia; violações constantes de direitos autorais; cyberbulling, falta de ética, narcisismo e baixo senso de cidadania, entre outros” (p.77). Entretanto, é possível descrever pelo menos oito comportamentos positivos: “liberdade de escolha; customização; espirito de investigação; integridade de princípios; colaboração; entretenimento todo o tempo; velocidade e inovação.” (p.77).

Todos esses dados pesquisados contribuem para alimentar os projetos educacionais e culturais, tendo em vista o futuro.

 

Mediações e mediadores em Ciência da Informação

 

Com a expansão e aparecimento de novos meios de comunicação, o conceito de mediação tornou-se corrente nas pesquisas e discussões científicas na área de comunicações.

A mediação possuí dupla dimensão: uma social e outra interpretativa, na comunicação mediatizada ela é o elo entre enunciador e destinatário, é o que garante coerência e continuidade da comunicação. Já a dimensão social corresponde à identificação simbólica e noção de pertencimento a um conjunto de representações e condutas e práticas de uma mesma comunidade, como a língua, o espaço social (interlocutório e geometral), estratégias e formas de comunicação.

Acerca do mediador, Martín-Barbero defende a figura de um “mediador cultural”, diferente da ideia defendida na comunicação de ausência, o pensador traz o conceito de um ser engajado com a comunidade, que aproxima os indivíduos dos produtos culturais.

Neste sentido, a Ciência da Informação deve ter ampla compreensão social e cultural, a fim de estabelecer teórica e metodologicamente o que vem a se constituir a mediação operatória, visto que lhe falta conceituação.

Até o século XIX, a mediação operada pelos bibliotecários, documentalistas e arquivistas era constituída sob o paradigma da custódia, patrimonialista, historicista, sendo que a partir de então agregou ainda a visão tecnicista. Estas distintas atividades e papéis na biblioteca contribuíram para a ideia negativa do espaço perante a sociedade.

Os pensadores Paul Otlet, Ortega y Gasset, entre outros, anunciaram uma missão bibliotecária ajustada aos sinais de mudança que ambos pressentiram e viram em seus tempos, mas que podem ser aplicadas ainda hoje, noção bem próxima da concepção mediadora, isto é, que antes de tudo, seleciona e avalia as informações para o acesso.

Para Otlet, o bibliotecário/ documentalista seria uma mistura de educador, de trabalhador intelectual e manual, de gestor e de organizador, com tripla motivação: intelectual, técnica e social. Acima de tudo, para ele, “convinha que o bibliotecário colaborasse com o movimento universal em prol das bibliotecas, visando o progresso geral da Humanidade” e “que ele assumisse, como missão, a assistência ao leitor e ao investigador”.

Ortega y Gasset aposta numa função mediadora radical, de afrontamento do problema e de ação frente ao surgimento de inúmeras obras que supera a capacidade do leitor assimilar, cabendo ao bibliotecário selecioná-lo, muitos livros “são inúteis”, ao qual este profissional deve orientar o leitor. A mesma situação ocorre hoje com o infinito número de informações na internet, bem como seus sistemas e ferramentas de busca que muitas vezes não corresponde a real necessidade do leitor.

Ranganathan também mostra cinco leis da Biblioteconomia: “os livros existem para serem lidos; a cada leitor o seu livro; a cada livro o seu leitor; poupar tempo ao leitor; e a biblioteca é um organismo em crescimento”, mostrando a necessidade do leitor em poupar seu tempo. Outro autor, López Yepes ainda ressalta a importância do diálogo consensual entre bibliotecários e informáticos, que valoriza o diálogo.

Atualmente, muitas bibliotecas e arquivos utilizam-se da mediação pós-custodial, de cunho institucional e cumulativa, que é especializada e por vezes compartilhada com informáticos e designers de informação, de quem depende a feitura do website através do qual são disponibilizados os acervos em depósito.

 

Referências Bibliográficas:

 

Passarelli,Brasilina. Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DataGramaZero: Rio de Janeiro, v.9, p. n.5, 2008.

PASSARELLI, Brasilina. Novos Perfis para Profissionais da Informação. DATAGRAMAZERO: Rio de Janeira, v.10, n.6, 2009.

PASSARELLI, Brasilina e Jose Manoel (Org). Atores em Rede: Olhares Luso-Brasileiros. São Paulo: SENACSP, 2011.

SILVA, Armando Malheiros da. Mediações e mediadores em Ciência da Informação. PRISMA.com., nº 9, 2010.

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