Postagem realizada em: 17/03/2016 às 18:28:33 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Liliane Aparecida Sanches Pio
Resenha dos dois primeiros capítulos "Gerações Interativas Brasil – Crianças e Adolescentes Diante das Telas" O Capítulo 1 do livro é a introdução, a qual apresenta os objetivos e a metodologia do Projeto "La Generación Interactiva: niños y adolescentes ante las pantallas", o qual foi uma pesquisa que teve por objetivo buscar compreender o uso e a valoração das telas (tv, vídeo-game, computador, etc) entre o público de 6 a 18 anos (Geração Interativa) e avaliar seu impacto no âmbito familiar e escolar. Tal estudo foi coordenado pelo Fórum Gerações Interativas, uma organização sem fins lucrativos fundado em dezembro de 2008 pela Telefônica, Universidade de Navarra e Organização Universitária Interamericana (OUI) e baseou-se em aplicar questionários on-line à estudantes por meio de respostas anônimas. A análise utilizada foi quantitativa (surveys estatísticos), justificada como sendo a ideal para apresentar dados representativos e propiciar comparações entre estudos da mesma natureza. Os dados Brasil coletados em 2010 e 2011 foram analisados no final de 2011 pelo Núcleo das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação "Escola do Futuro/USP". O capítulo 2, intitulado "O Hibridismo do Contemporâneo Conectado", é um capítulo teórico e trata da Comunicação vista de uma perspectiva híbrida. A questão apontada é que internet trouxe consigo novas relações de poder, diferentes daquelas hierárquicas reconhecidas até então. Com isso, a sociedade em rede remodelou os conceitos de autoridade, direitos autorais, comunicação emissor-receptor e comunicação em massa. A organização em rede é, desse modo, vista como fruto de processo histórico formada por pessoas desejam compartilhar conhecimentos e opiniões (pensamento crítico). A partir da década de 90 surgem estudos sobre comunidades virtuais (termo cunhado por Howard Rheingold para referir-se a um ambiente de criação e interação coletiva) e personas (cunhado por Sherry Turkle) que reforça o papel do computador na transformação dos modos de cognição. Nessa linha de raciocínio, os autores apresentam o conceito de cultura da interface, que é a interação com a máquina, isto é, o sujeito visto como um sistema múltiplo e heterogêneo onde o computador é símbolo e a Internet é o espaço de produção cultural, ao mesmo tempo sendo artefato e local, sintetizando, portanto, uma prática de liberdade que rompe barreiras de fronteira e sociais, se tornando assim um ambiente híbrido coletivo. Em seguida, o subtópico 2.1 "Literacias Emergentes dos Atores em Rede: a segunda onda da inclusão digital" irá mostrar, através de pesquisa do NAP Escola do Futuro/USP, existência de duas "ondas" da inclusão digital: a primeira onda sendo a necessidade de inclusão (acesso à estrutura física) e segunda onda sendo a geração de nativos digitais (e a preocupação com a apropriação do conteúdo da internet de diferentes formas). Inicialmente os autores defendem que promover a inclusão digital e, por consequência, a inclusão social significa possibilitar o uso das ferramentas digitais de forma crítica, estimulando o aperfeiçoamento das potencialidades informativas e cognitivas e também, as atividades cidadãs. Alguns dados mundiais são apresentados, valendo o destaque que, na América Latina, Brasil é líder tanto no que diz respeito ao parque de computadores quanto à conexão com internet (em 2012, aproximadamente 80 milhões estavam conectados à internet). Pode-se considerar que, pensando em Brasil, os obstáculos referentes à primeira onda estão superados e novos recursos são necessários, como habilidades cognitivas que envolvem leitura e escrita, interpretação de textos, conhecimento mínimo de matemática, capacidade de raciocínio abstrato, entre outros. Neste contexto, "ser letrado" significa também ser educado na linguagem multimídia e hipertextual da tela. Portanto, os autores concluem que a perspectiva das literacias configura-se como uma nova abordagem para os estudos da cultura das redes, em que o usuário passa do estatus de receptor para consumidor/produtor ativo. Antes de finalizar o capítulo, como o termo literacia ainda é pouco conhecido no Brasil, abriu-se um subtópico (2.1.1) para trabalhar justamente o significado deste termo. Uma diferenciação foi criada entre os processos de alfabetização e letramento, onde apenas ler e escrever não era suficiente para ser considerado "letrado", era necessário que, além disso, as práticas da leitura e da escrita fossem introjetadas ao ponto de se obter uma apropriação completa das mesmas. Trazendo este conceito para a sociedade em rede, a noção de literacia passa a referir-se também à capacidade de interagir e comunicar-se utilizando as tecnologias de informação e comunicação. A ideia é que estar conectado às diferentes telas exige não apenas leitura, mas também interpretação, pesquisa, navegação, além do conhecimento de diferentes linguagens multimídia como enviar fotos, produzir blogs , perfis no Facebook, etc. Um quadro desenvolvido por Mark Warschauer em 2003 permite comparar as diferenças entre a literacia tradicional, ligada apenas às competências de ler e escrever, e o novo conceito de literacia digital, num contexto de predominância das TIC's. Em seguida são apresentados alguns estudos nesse tema: de acordo com estudiosos, a E-geração (nativa digital) está habilitada para efetivamente navegar no ambiente multidimensional do mundo digital, ao contrário dos adultos que cresceram em um mundo de livros, que lutam para sobreviver num mundo estranho. Segundo Gilster (1997), pesquisador que cunhou o termo literacia digital, as pessoas serão levadas a aprimorar-se continuamente no uso das ferramentas das TIC's dado que a maior parte dos documentos impressos está sendo digitalizada e armazenada na para formar um grande banco de dados. No Modelo de Literacia Digital do professor Yoram Eshet-Alkalai as literacias são divididas em: literacias da informação, foto-visual, de reprodução, de pensamento hipermídia e sócio-emocional, onde cada uma delas inclui habilidades emocionais, sociológicas, motoras e cognitivas necessárias para comunicação em ambientes digitais. O capítulo finaliza defendendo que o estudo das literacias em rede contribuem para entender melhor o comportamento dos conectados, podendo projetar cenários para as gerações interativas d e crianças e jovens nas telas. Referência: PASSARELLI, Brasilina & JUNQUEIRA, A.H. Gerações Interativas Brasil – Crianças e Adolescentes Diante das Telas. Disponível em < http://ccvap.futuro.usp.br/gerinter2012.pdf>. Acesso em 15 mar. 2016.