Postagem realizada em: 17/04/2017 às 11:11:53 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Renata Fernandes Veloso Baralle
O artigo traz um breve estado da arte da evolução do conceito de mediação, adicionando de observações atualizadas acerca de um debate recente envolvendo pesquisadores de todo o mundo no 1o Forum on Media and Information Literacy.
Nos inserimos em uma sociedade contemporânea hiperconectada, na qual o conceito de mediação é encarado como processo complexo, crescente e contínuo, envolvendo uma comunicação que perpassa três eixos: homem-homem/homem-máquina e máquina-máquina. Tal hiperconectividade exigiria um novo conjunto de habilidades que podem ser propagadas através da Media and Information Literacy (MIL).
A professora Brasilina Passarelli nos apresenta um contexto local sobre as ondas de introdução da internet no Brasil: em 2000, relativa às políticas de acesso e fornecimento de infraesrutura para mitigação da exclusão digital; em 2006, a intensificação da necessidade de novos enfoques e perspectivas de investigação a partir das experiências até então acumuladas. Além disso, a pesquisadora também observa alterações nas "formas de construção de identidades, sociabilidades e sentibilidades dos indivíduos na atualidade" (p. 232)
Uma das primeiras pesquisas citadas é a da professora Leah A. Lievrouw que lembra as abordagens teóricas inciais sobre as mídias digitais, destacando sua caracterização como adicional às mídias tradicionais (rádio, TV, cinema...), que irrelevavam seu caráter participativo e interacional.
São citados conceitos de outros pesquisadores como "presença conectada" de Parisech Chrisien Licoppe; a "teoria da domesticação" de Roger Silverstone; a "narrativa transmídia" de Henry Jenkins, além de pesquisas referentes às mudanças trazidas à socidade pelas novas midias e o continuum da conectividade, abordados por Sonia Livingstone e Nicky Couldry, respectivamente.
Uma ideia que parece muito assertiva é a de que "em todos os aspectos da vida humana as tecnologias digitais tornam-se forças ambientais que estão criando e transformando nossa realidade" (p. 236), conforme derente Luciano Floridi --- o que vai de encontro com a ideia da internet como via estruturante da produção, circulação e compartilhamento das expressões, emoções e da própria ação social. O professor também crê na dissolução da fronteira entre o online e o offline, estabelecendo uma espécie de continuum entre a mente humana e a máquina, numa indiferenciação entre essas entidades --- ideia esta também defendida por Derrick Kerkhove (p. 232).