Mulheres na Computação, recorte no IME-USP


Mesmo sendo objetos atualmente tão indispensáveis quanto as paredes de uma casa, ainda é impressionante considerar como os computadores mudaram os rumos da humanidade e foram pontapé para o desenvolvimento de tecnologias vitais para o percurso diário da maioria das pessoas, como por exemplo os smarthphones e tablets. Essas tais máquinas de programação ajudaram na vitória de guerras e na solução de problemas complexos das novas eras, caracterizadas pela alta produção em massa e a supervalorização da informação. Muitos nomes ganham destaque quando se fala em Ciência da Computação, a área que desenvolve a programação dessas máquinas, um dos mais reverenciados é o de Alan Turing, responsável por decodificar o Enigma na Segunda Guerra Mundial. No entanto, o que poucos citam é o importante papel das mulheres na formação das bases para a programação e como os primeiros cursos de Ciência da Computação tiveram uma presença majoritária do sexo feminino.

O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer), primeiro computador digital eletrônico, contava em sua produção com uma equipe de mulheres para programá-lo, já que esse trabalho era visto como algo correlacionado com o secretariado. O ponto é que antes do personal computer (PC), a área de computação muito era associada apenas a matemática e não à tecnologia. Quando suas funções demonstraram grande desempenho na facilitação de tarefas para fins profissionais e até mesmo militares, a demanda por tais conhecimentos aumentou e atraiu uma gama extraordinária de homens que por fim, ocuparam esse espaço “feminino” e mancharam através das décadas a imagem da mulher como integrante das exatas.

Observa-se esse fato ao analisar a gritante diferença das turmas de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo na década de 1970 e atualmente. A primeira turma do curso contava com 14 alunas e somente 6 alunos, ou seja, as mulheres ocupavam 70% da sala e muitas vieram dos cursos de Licenciatura em Matemática, qual também era preenchido em grande parte por elas. A vinda massiva de homens para a área de programação também é explicada segundo Renata Wassermann, professora do IME, pelo nascimento dos jogos digitais quais atraíram (e ainda atraem) o sexo masculino. Paralelo a isso, também se observa o desincentivo das mulheres quanto à programação através das mídias quais as botam em papéis relacionados ao emocional e o doméstico, assim, portanto, apenas úteis aos conhecimentos de humanas. O que se mostrou errôneo visto todos os marcos tecnológicos apresentados anteriormente. Atualmente as mulheres ocupam menos de 10% das turmas de Ciência da Computação na Universidade de São Paulo.

 

REFERÊNCIAS

https://jornal.usp.br/universidade/por-que-as-mulheres-desapareceram-dos-cursos-de-computacao/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alan_Turing

https://pt.wikipedia.org/wiki/ENIAC


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