Gabriela Brancaglion - Post 02
Postagem realizada em: 25/03/2019 às 22:01:25
Autor: Gabriela Alfonso
As possibilidades de interação e produção no meio digital como conhecemos hoje só se tornou possível com o desenvolvimento de uma interface mais palatável na internet. Seu surgimento diz respeito à necessidades militares, em meio à Guerra Fria, portanto o relevante era a troca de informações o mais rápido possível e com segurança. A primeira conexão se deu nos EUA, por meio da Arpanet, uma rede local que conectou duas universidades, transmitindo as letras “LO” da palavra “LOGIN”.
É apenas a partir dos anos 80 que a internet comercial como conhecemos hoje passa a ser desenvolvida. O investimento na arquitetura da informação foi fundamental para sua disseminação, foi graças à interface gráfica do Word Wild Web – o WWW – junto com o desenvolvimento do protocolo da internet – o “IP”, que permite o reconhecimento da conexão – que indivíduos sem conhecimento de programação foram capazes de utilizar tanto o computador quanto a rede.
As ferramentas que estamos tão habituados hoje foram gradualmente sendo desenvolvidas, nos anos 90 surge o primeiro Browser, o Mosaic, que inspiraria a interface de todos os que o seguiriam. O hipertexto, fundamental no meio digital, também se origina neste período, graças a esse mecanismo somos capazes de relacionar informações, recuperá-las, distribuí-las instantaneamente. O meio digital revoluciona todo o conceito de produção e reprodução de informação, a ideia de cópia e original, por exemplo, tornam-se difusas no meio eletrônico.
É no final dos anos 90 que se desenrola uma guerra dos navegadores, as empresas passam a competir por desenvolvimento de tecnologias que atendessem à esse meio que crescia exponencialmente. A arquitetura informacional é uma área de crescentes estudos, tanto para empresas quanto para profissionais da informação, que buscam entender as formas como seus usuários consultam e consomem o conteúdo que necessitam.
Por diversos elementos podemos ver como o digital se espelha nas formas que a informação está comumente disposta no papel. Em websites campos descritivos e público alvo são análogos ao prefácio de um livro. Porém, é inegável a amplitude de alcance temático, geográfico, a capacidade de atualização, uso de recursos multimídia. Nesse sentido, as bibliotecas virtuais se tornam espaços de múltiplas linguagens e abordagens, podendo atender desde dúvidas pontuais por meio de chats ou e-mails, como captar a atenção do usuário para informações esporádicas, como posts temáticos, indo muito além de uma base de dados.
Os softwares livres surgem com uma proposta de terem seus códigos expostos, para permitir que o usuário modifique e utilize conforme suas necessidades. Numa sociedade que comercializa informações, mesmo dispondo de uma ferramenta tão poderosa quanto a internet para disseminá-las, tal atitude nos parece louvável e bastante inspirada em princípios iluministas. Infelizmente duras legislações foram desenvolvidas para impedir tais ações.
Apesar disso, muitos projetos importantes foram desenvolvidos respeitos as leis de direitos autorais e permitindo a disseminação de informações, como a World Digital Library e o Project Gutenberg. Mesmo antes do desenvolvimento de tecnologias digitais a informação sempre foi disputada e comercializada, a internet surge como um espaço de potencial compartilhamento, cabe a nós lutar por ele.