Resenha do texto “Conectividade contínua e acesso móvel à informação digital” de Brasilina Passarelli e Alan César Belo Angeluci


             O contemporâneo hiperconectado que compreende o crescimento exponencial da Internet das Coisas, do Big Data e da inteligência artificial faz com que repensemos o modo como vimos e lidamos com as relações humanas e com a maneira com a qual apropriamos e produzimos o conhecimento.

            Com base em pesquisa realizada com estudantes de diferentes estratos sociais do ensino fundamental e médio residentes em São Caetano do Sul, o artigo procura explicar o fenômeno da migração do uso de mídias baseadas em ambientes desktop para dispositivos móveis com uso individual e telas menores, como tablets e smartphones.

            Uma das principais razões dessa migração é a instantaneidade da troca de informações, ou seja, em um aplicativo móvel o indivíduo com acesso à Internet consegue verificar e se apropriar de uma determinada informação no instante em que esta é produzida, bem como transmiti-la com a mesma rapidez.

            Outra razão para esse fenômeno está relacionada à formação de comunidades on-line, mais individualizadas e de nicho, em que os indivíduos se encontram encapsulados em multidões que o espelham e o reafirmam ininterruptamente. Isso acaba, por muitas vezes, gerando as tais “bolhas”, cujo traço definidor é a impermeabilidade ao dissenso, a ponto de uma comunidade de uma determinada bolha mal tomar conhecimento da outra.

            É verificado também que as novas gerações estão mais propensas a realizarem suas atividades mediante uso das novas plataformas móveis que as gerações anteriores que, embora também façam uso delas, ainda fazem um grande uso das mídias tradicionais, bem como de outros tipos de mediação tecnológica.

            Fazendo uma análise por estratos sociais, é possível notar que ambas as classes, tanto as mais favorecidas quanto as menos favorecidas, fazem um uso muito grande de dispositivos móveis em atividades de diversão e relacionamento.

            Observa-se também que os estudantes de CA fazem um uso maior de aplicativos de imagens (como o Snapchat e Instagram) e os estudantes de CB fazem um uso menor de moodle e demais ambientes educativos.

            Uma possível explicação para a influência da renda no uso de plataformas educacionais talvez seja a qualidade da instituição de ensino em que os estudantes de CB se encontram, haja vista que os ambientes escolares desfavorecidos financeiramente normalmente possuem uma qualidade de ensino inferior e a falta de incentivo é muito grande. Sendo assim, não é de se estranhar que muitos desses estudantes não acessem tais plataformas pelo desconhecimento da existência destas.

            Com relação ao acesso à rede pelo celular, a renda não influencia muito, tendo em vista as diferentes infraestruturas e estratégias de acesso que são utilizadas pelos jovens, principalmente os de CB.


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