Atividade Avaliativa - Camila Matutino - Relatório Resenha - Seminário sobre Literatura Cinzenta


Dentre os vários recursos informacionais disponíveis pode-se citar a Literatura Cinzenta como um equipamento que até hoje é de muita importância dentro das pesquisas dos mais variados tipos de saberes, mas principalmente em relação às atividades acadêmicas ele merece destaque.

Em primeiro lugar é relevante ressaltar que com o passar do tempo seu conceito e seu formato mudaram. Principalmente com o advento da Internet e a introdução cada vez maior de novas tecnologias, houve uma ressignificação do seu conceito e da sua caracterização.

Anteriormente esta era descrita  como uma literatura de difícil acesso e aquisição; e possuía como seu principal fator de identificação não passar por um controle bibliográfico específico. Em outras palavras, era caracterizada como documentos não convencionais e que em sua quase totalidade não poderiam ser adquiridos através dos canais usuais de venda de publicações bibliográfica (ou seja, não eram controlados pelos veículos editoriais). 

A Literatura Cinzenta era (e pode ser produzida até atualmente) em âmbito governamental, acadêmico, comercial, industrial; ou seja, foram veículos informacionais (e ainda são) com tipologias variadas, que vão desde publicações não revisadas até documentos com conteúdos não muito concretos. 

Por essas características, a Literatura Cinzenta foi denominada também Literatura Não Convencional ou Literatura Fugitiva. Elas fugiam da padronização tradicional feita pelos grandes meios de publicação editorial e não estavam dentro de uma convenção estabelecida, mas possuíam alguns padrões próprios de configuração. 

Alguns outros fatores foram aplicados anteriormente como caracterizadores destes recursos informacionais como por exemplo a concisão, o acesso e disponibilidade limitados, o número reduzidos de exemplares e eram geralmente distribuídos por indivíduos ou instituições responsáveis por sua criação. 

Todos estes conceitos citados acima, foram ressignificados depois com o advento da Internet. Depois que os recursos tecnológicos se aprimoraram, a popularização do conhecimento cresceu e como consequência disto houve uma nova forma de Literatura Cinzenta. 

Hoje ela está muito mais disponível e mais acessível que antes da Internet, pois o conhecimento flui online de forma livre. Bases de dados e até mesmo redes sociais são a nova configuração deste processo. Porém a filtragem dos saberes deve ser feita de forma criteriosa e sempre baseada em fontes de informações confiáveis (principalmente àquelas que são ou que se baseiam nas chamadas obras de referência).

Podem ser colocadas em um âmbito mais atual três tipos de níveis onde a Literatura Cinzenta pode ser aplicada. O primeiro deles pode ser chamado de Literatura Cinzenta Escura e é utilizado para caracterizar itens que não estão registrados em um sistema informacional digital. Como exemplos deste tipo de subdivisão deste recurso informacionais podem ser citados as comunicações internas, os materiais não publicados e a preparação de manuscritos.  

O segundo nível desta fonte de informação é denominado de Literatura Cinzenta Média. Ela é usada para designar os ítens sem interesse de difusão externa como por exemplo os relatórios, teses e dissertações. 

O último nível pode ser chamado de Literatura Cinzenta Clara. Ela é exatamente o contrário do ítem anterior; ou seja, tem como objetivo denotar os ítens com interesse de difusão externa como por exemplo relatórios oficiais, documentos estatísticos e relatórios técnicos. 

Os principais exemplos da Literatura Cinzenta nos seus mais variados níveis e que se aplicam até os dias atuais são: anais de congressos, relatórios técnicos, publicações  governamentais, teses e dissertações, boletins, literatura comercial,  normas e patentes. 

No Brasil as principais referencias em termos de Literatura Cinzenta hoje são: 1-o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 2- Petrobrás, 3- Senado Federal, 4- ENAP, 5- CETEC, 6- BERIME e 7- o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.

Em âmbito internacional merecem destaque o GreyNet - uma organização independente que se dedica à pesquisa, acesso e conscientização sobre a Literatura Cinza, a SINGLE - um sistema de informações sobre Literatura Cinza na Europa, o NTIS -  o Sistema de Informações  Tecnológica dos Estados Unidos e o centro francês INTI que estuda também sobre Literatura Cinza.

Por fim, pode-se colocar que a Literatura Cinzenta ainda hoje tem uma aplicação muito forte na vida dos pesquisadores. Apesar da sua configuração ter se ressignificado, percebe-se que a sua essência não mudou completamente e que a sua importância não perdeu o seu valor. Estudar este processo é perceber que o conhecimento apesar de evoluir, nunca estará velho demais para ser baseado em recursos informacionais que tragam saberes consolidados em uma base teórica de qualidade e baseada em referências que são de grande valor histórico e informativo. 

REFERÊNCIAS

BOTELHO, Rafael Guimarães Filho; OLIVEIRA, Cristina da Cruz de. Literaturas branca e cinzenta: uma revisão conceitual. Ci.Inf. ,Brasília, DF, v.44, n.3, p.501-513, set/dez 2015. 

CAMPELLO, Bernadete Santos; CENDÓN, Beatriz Valadares; KREMER, Jeannette Marguerite (Org.). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2000.

CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008. xvi, 451 p.

GOMES, S. L. R., MENDONÇA, M. A. R., SOUZA, C. M. Literatura cinzenta. In: CAMPELLO, B. S., CENDÓN, B. V., KREMER J. M. (Orgs.). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2003. p. 97-104. 


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