6. Apresentação de Alan Angeluci


            A apresentação do professor Alan Angeluci vem ao encontro dos últimos temas abordados no curso, em particular com o texto “Transliteracias: A Terceira Onda Informacional nas Humanidades Digitais”. No entanto, para além dos temas iniciais tratados anteriormente, foi importante a perspectiva do palestrante no que diz respeito ao envolvimento dos profissionais de informação nesse contexto informacional.

            Um elemento fundamental é a mudança de paradigma quanto ao trabalho oferecido tanto pelos profissionais quanto pelas instituições tradicionalmente conhecidas como sendo de informação. Já não se trata simplesmente de oferecer ao usuário a informação, mas de oferecer também a análise de dados relevantes. Um exemplo citado com frequência é o da mudança nas missões de instituições como Web of Science e Elsevier que agora não somente concedem acesso a materiais de pesquisa, mas fornecem análise de dados de acesso.

            No entanto, fica a questão sobre o processo de formação desse profissional frente a essas questões. A velha formação bibliotecária já não é mais capaz de dar conta das questões que surgem. Conhecimentos atrelados às áreas de estatística e informática se fazem necessários, mesmo que para uma compreensão ampla da situação. Com isso, cursos como o da ECA/USP precisam ter seus currículos modernizados a fim de se adequarem a esses novos paradigmas.

            Conforme Angeluci nos mostra por meio de estatísticas, o desafio do Big Data é uma grande limitação uma vez que faltam profissionais para lidar com esse elemento. Isso, aliado ao crescimento da IA nos processos, são elementos que caminham juntos.

            Fomos apresentados ao projeto inovador da DTU Library na Dinamarca. Trata-se de uma instituição que serve de modelos quanto ao tratamento desses novos paradigmas ao aliar tecnologia com inovação de processos para auxiliar seus usuários no uso das ferramentas.

            Falando de usuário, isso é outro tema de controvérsia trazido ao longo da apresentação: a palavra usuário ainda cabe para designar o indivíduo que faz uso desses serviços? Creio que podemos manter o termo e alterar a perspectiva: não se trata mais de um usuário do serviço de informação, mas de um usuário de informação, independente de sua origem ou natureza. Não negando as questões financeiras que muitas vezes surgem em meio às discussões sobre desenvolvimento científico e oferta de informações, mas a colocação desse ente como consumidor apenas reforça o distanciamento das possibilidades de acesso por enormes camadas dasociedade.


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