A imprensa de Gutemberg e a educação 


A imprensa de Gutemberg e a educação

A partir do desenvolvimento da imprensa de Gutemberg, no século XV, os materiais impressos, como livros e jornais, tinham um custo menor, pela facilidade de imprimir vários exemplares de uma vez, tornando o acesso a tais materiais mais acessíveis e a circulação na sociedade mais frequente. Sendo assim, uma grande parte da população que antes não possuía contato frequente com materiais escritos passa a aumentar, no entanto ainda existia uma parte da população que não possuía essa possibilidade. Um fator importante a ser ressaltado é que a educação básica, onde se aprendia cálculos matemáticos e a leitura, anteriormente a esse período era algo limitado para a nobreza da época, justamente por os materiais escritos serem raros e extremamente caros e o conhecimento ser considerado algo para “poucos”. No entanto, pela massificação do conhecimento ao longo dos anos foi possível iniciar a quebra de tal paradigma tornado-se os ambientes escolares mais acessíveis para a população geral. 

Sendo assim, a relação entre a população e o acesso à informação a partir da escrita foi sendo alterada à medida que os materiais impressos escritos foram tendo mais participação na sociedade, além de que seu custo foi diminuindo em decorrência da competitividade do capitalismo, pois a partir dessa inovação o livro, o jornal e a revista passaram a ser produtos em potencial, formando assim uma indústria voltada para sua produção em larga escala, com o intuito de aumentar seu consumo na sociedade. Assim, por conta do aumento das taxas da alfabetização, desenvolvimento de escolas, a facilidade de acesso, a diversidade de conteúdo, resultou no aumento do letramento e logo crescimento de escolas, sendo primeiramente o foco burguesia e somente mais tarde dos trabalhadores, por conta disso, essas novas prática permitiram uma mudança no público leitor na qual mulheres, trabalhadores e crianças passam a estar inseridos (SCHREINER, 2005 apud CHARTIER, 1999). Ademais, a partir do século XIX começaram a surgir as primeiras bibliotecas públicas, que além de armazenar todos os livros e documentos, tinha o intuito de facilitar o acesso de toda a sociedade aos livros, permitindo que todos tivessem a oportunidade de leitura dos mais diversos textos (ORERA, 1995). 

Portanto, a partir desse maior acesso à informação e o acesso às escolas por públicos maiores , torna-se possível que outras camadas da população pudessem, apesar de ainda ter diferenças e limitações, terem contato com a informação por conta própria, utilizando-se de fontes de informação que antes eram restritivas, sem depender tanto de terceiros, tornando o acesso e compreensão das informações algo mais individual e introspectivo, para a compreensão do entorno, além de permitir, também, uma certa mobilidade social. 

 

ORERA ORERA, Luisa. Evolución histórica del concepto de biblioteconomía. Revista General de Información y Documentación, Servicio de Publicaciones, Universidad Complutense, Madrid, v. 5, n. 2, p. 73-89, 1995. 

SCHREINER, M. . Jules Michelet e a história que ressuscita a dá vida aos homens: uma leitura da emergência do “povo” no cenário historiográfico francês da primeira metade do século XIX. 2005. 326f. Dissertação (Tese de Doutorado) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo, 2005.


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