Reflexões sobre a perpetuação da memória, da informação...


      Ao pensar nas reflexões que seguem ao ouvir à aula e também aos vídeos dispostos, o que mais se fixa são as variadas e grandiosas informações e suas fontes.

      Das pinturas rupestres a um diário de uma garota judia, das tipografias de Gutemberg a escavações em sítios arqueológicos, das especificidades nas pinceladas de Gogh a Carta de Pero Vaz de Caminha... O que poderíamos relacionar ao pensarmos sobre cada um desses materiais? Bom, a principio nada. No entanto, quando tomamos o devido cuidado e manejo para criarmos as descrições especificas, cada um desses materiais passam a formar parte de um universo imenso que chamamos de informação.

      Digo imenso, pois apenas quando nos deparamos com esta reflexão é que podemos criticamente diagnosticar algo muito caro a nossa sociedade: a necessidade da perpetuação da memória. Das muitas descobertas e estudos que a humanidade obteve em sua vivência terrestre, nada seria tão caro se nós não tivéssemos adaptado e registrado, ao longo do tempo, as informações em suportes. Estes, que foram mudando conforme as eras, já evidenciam suas particularidades e por si só podem auxiliar no pensamento sobre como é que tal época se comportava.

      Muito latente a uma reflexão particular é o pensamento de como é que a humanidade tem cada vez mais, com sua busca por melhoria de suportes, evidenciado sua curiosidade por conhecimento, e mais do que isso, sua rebeldia em não deixar-se esquecer. É fato que muitos dos grandes documentos que passaram por uma curadoria tendem a atender (mesmo que minimamente) a um viés próprio do curador, com isso em mente, volto-me ao que é selecionado para ser divulgado como informação difundida. Poderá e haverá alguma tendência numa determinada informação registrada (por exemplo, Otto Frank não quis que tudo que sua filha Anne escreveu fosse publicado; bem como Caminha ter especificado a nudez dos indígenas denotava sua divergência cultural...), mas mesmo com tais limitações, é a oportunidade de discussão que enriquece minha abordagem. Obter contato com as fontes primárias sejam elas o Diário ou a Carta, e poder registrar suas especificidades físicas (seu suporte, seu estado físico) para doravante conceber os discursos que os mesmos possuem, é algo valiosíssimo.

      Mesmo correndo o risco de maiores romantizações em minha escrita, ouso dizer que é o que nos tem movido para continuarmos com os registros: a oportunidade de eternizar, de auxiliar novas concepções e ainda de registrar o conhecimento que possuímos independente do suporte, é o que nos tem humanizado, pois esse universo da informação é vasto e até pode ser infinito, mas o que criamos com nossos registros vai muito além do que simples rabiscos numa caverna. Criamos a possibilidade da memória, e esta nos habita e forma, para convivermos nesse mesmo teto estrelado, e não cometermos inconveniências passadas.


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