Aula 3: Evolução dos registros informacionais e fontes de informação


Como observado em aula, os suportes, conteúdos e alcance dos registros informacionais foram transformados com o passar dos anos, reflexo do que Paula, Silva e Blanco indicam ao afirmarem que “o conceito das fontes de informação está diretamente relacionado à necessidade de informação do leitor” (2018, p. 97). Nesse sentido, entre os vários fatores que influenciaram a evolução destes registros, é imprescindível citar a atuação das instituições de informação, educação e cultura, bem como dos meios de comunicação. O modo de comunicar os cenários sociopolíticos e os avanços da ciência, por exemplo, foi permeado pelos diferentes suportes e meios de transmitir conhecimento, e hoje ainda está em constante transformação. 

Fontes de informação anteriormente muito consultadas tornam-se obsoletas ou têm sua relevância diminuída diante de outras fontes que surgem como substituição parcial ou total destas. Podem também, no entanto, co-existirem mesmo diante das diferenças contextuais em  que foram criadas. Paula, Silva e Blanco (2018, p. 98) em “Pós-verdade e Fontes de Informação: um estudo sobre fake news” ainda dizem que:

“As fontes de informação são frequentemente aperfeiçoadas pelas tecnologias de comunicação/informação e pelos avanços da Internet, e, assim como nos meios convencionais, existem variadas fontes de informações em meio digital. A imensidão de documentos eletrônicos criou novos recursos informacionais e reintegrou os já existentes, como enciclopédias e dicionários.” 

Os autores apresentam também o que consideram as principais fontes de informação utilizadas na Internet dos dias de hoje: blogs, motores de busca, fóruns de discussão, redes sociais, websites, portais de conteúdo e agregadores de links e plataformas de compartilhamento de vídeos. Diante disso, é possível refletir sobre a facilidade cada vez maior no acesso à informação, bem como pensar criticamente a confiabilidade de muitas das fontes que proporcionam informações. Para além, estas fontes podem representar fontes primárias ou secundárias de informação, o que faz necessário um olhar ainda mais analítico diante das informações por elas produzidas e/ou comunicadas.

Dessa forma, recuperamos as três tipologias de fontes estudadas na disciplina: fontes primárias e fontes secundárias, já citadas, e também as chamadas fontes terciárias. A cada uma, cumpre-se uma tarefa diferente voltada para fins também diferentes; igualmente, cada uma reflete uma relevância distinta às outras e que varia de acordo com o contexto e a necessidade. Fontes primárias são fontes originais, que não citam ou utilizam de outras fontes ou outros documentos para compor seu conteúdo; em outras palavras, são registros em primeira mão de certo período ou acontecimento. Já fontes secundárias são constituídas por informações posteriores à determinado período ou acontecimento, e não trazem conhecimento original; para a composição destas fontes, outros documentos são utilizados como base para discussão, análise ou base argumentativa. Ainda, pode-se citar as fontes terciárias como fontes que organizam as fontes secundárias; ou seja, são guias ou índices de obras secundárias, e igualmente não refletem conhecimento original. 

Em um período em que a disposição informacional apresenta-se de forma cada vez mais rápida e dinâmica, a identificação de fontes primárias pode ser difícil, bem como a verificação da veracidade das informações recuperadas por outras fontes secundárias. Em um dos vídeos sugeridos para a aula 03, que trata das diferenças entre fontes primárias e secundárias, indica-se que as fontes são relativas de acordo com o contexto. Um exemplo dessa situação seria um estudo que trata da representação de notícias na internet e que tenha como objeto um site de notícias; nesse caso, o site de notícias representa uma fonte primária. Em outra situação, se for realizado um estudo sobre estratégias políticas em eleições, o qual o site de notícias anteriormente citado tenha matérias com análises de eleições que possam ser úteis à pesquisa, neste caso, o mesmo site de notícias representaria uma fonte secundária, pois é utilizado como base para outro tópico, e não como objeto principal. 

Neste contexto, as fontes anteriormente citadas por Paula, Silva e Blanco, por exemplo, podem se portar como fontes primárias ou secundárias dependendo do contexto. O conhecimento da definição de cada uma destas fontes se faz importante pois, muitas vezes, fontes secundárias são interpretadas e utilizadas como fontes primárias e podem, nesse sentido, viabilizar cada vez mais a disseminação de notícias falsas ou descontextualizadas. 


PAULA, L. T. de; SILVA, T. dos R. S. da S.; BLANCO, Y. A. Pós-verdade e Fontes de Informação: um estudo sobre fake news. Revista Conhecimento em Ação, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, jan./jun. 2018. DOI: https://doi.org/10.47681/rca.v3i1.16764. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rca/article/view/16764/1122. Acesso em: 07 set. 2021.

Primary vs. Secondary Sources. [S.l.: s. n.], 2017. 1 vídeo (3 min). Publicado pelo canal Hartness Library. Disponível em: https://youtu.be/gStyna348M0. Acesso em: 31 ago. 2021.

Understanding Primary & Secondary Sources. [S.l.: s. n.], 2014. 1 vídeo (2 min). Publicado pelo canal Imagine Easy Solutions. Disponível em: https://youtu.be/pmno-Yfetd8. Acesso em: 31 ago. 2021.


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