Critérios de avaliação de obras de referências (aula quatro)
Postagem realizada em: 13/09/2021 às 22:54:39 - Última atualização em: 14/09/2021 às 09:42:51
Autor: Nicole Bonassi de Oliveira
Título: um verbete para chamar de meu
Inseridas em um contexto histórico e linguístico, as enciclopédias sempre estiveram relacionadas ao saber, a posse do conhecimento e associadas às "[...] obras de referências a que se recorre na ocasião de qualquer dúvida" (ESTEVES, 2016, p. 396), tomando para si a posição de detentoras originais dos saberes. Dentre as primeiras edições do documento que surgiram destacam-se os volumes da Cyclopaedia, de Chambers e a Encyclopédie, de Diderot e D' Alembert, cujas origens são inglesa e francesa, respectivamente. Apesar de seus contrastes e similaridades, ambas são provenientes da luminosidade intelectual produzida no século XVIII.
Tal cenário histórico, que inclui o compartilhamento do saber já por meios impressos e a disseminação de informações através de debates -- partindo das universidades europeias, por exemplo -- contribuiu para que a enciclopédia francesa ganhasse notoriedade e se expandisse, uma vez que surgiram diversas impressões, "[...] promovendo uma reorganização das ideias, principalmente no que diz respeito à produção de conhecimento e à epistemologia da Idade Moderna" (ESTEVES, 2016, p. 396).
Consequentemente, infere-se que as enciclopédias surgiram conforme as necessidades de um determinado contexto apareciam, mas que foram também as responsáveis por traçar novos caminhos, dado que estiveram envolvidas com as discussões da época -- século XVIII -- e funcionariam, séculos mais tarde, como meios de partida para os estudos sobre a Análise do Discurso (ESTEVES, 2016). Posteriormente, na primeira metade do século XIX e na segunda metade do século XX, enquanto Michel Pêcheux desenvolvia a Teoria da Análise do Discurso, novas enciclopédias eram publicadas, porém em localidades menos desfavorecidas, como no Brasil.
Segundo Esteves (2016), algumas enciclopédias que fizeram parte da história nacional foram a Encyclopedia popular, Encyclopedia do riso e da galhofa em prosa e verso e a Encyclopedia dos conhecimentos uteis, todas com produções iniciadas durante o século XIX, pois visavam uma compreensão mais ampla do povo sobre as palavras, além da construção de uma identidade nacional. Já a Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, ''editada entre 1963 e 1995, foi fruto de uma associação entre a Editora Verbo e as instituições culturais da Companhia de Jesus" (ENCICLOPÉDIA..., 2021), enfatizando que a solidificação cultural do Brasil, no que se refere, agora, principalmente à língua, objetivava se desprender das raízes lusitanas. Evidentemente, a formação de uma enciclopédia brasileira deve valorizar a miscigenação que compõe a nação, destacando tanto as culturas europeias -- advindas do embranquecimento social aplicado -- como as indígenas e africanas, sendo a Encyclopedia Luso-Brasileira de Cultura apenas um estopim para desbrandar as raízes nacionais.
Tratando-se das características extrínsecas da Encyclopedia Luso-Brasileira, hoje facilmente encontrada na internet ou em sebos, essa possui 23.320 páginas, capa dura, 1035 g., formato grande medindo cerca de 17X25 cm e abarca assuntos referentes aos anos de 1963 até a década de 1990 (TRAÇA, c2021). Quanto aos aspectos intrínsecos, algumas palavras-chave que definem a obra são dicionário, enciclopédia, luso-brasileira e cultura, bem como a sua última versão foi publicada em janeiro de 1998 e dedica-se ao século XXI.
Ademais, explicita-se que a produção de enciclopédias vai muito além da formação de verbetes ou a definição de conceitos, pois alcança também as raízes de um ou vários povos, assim como desenha novos caminhos e percepções sobre o conhecimento.

Referências
ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2021. Disponível em: https://bit.ly/3tEiM3h. Acesso em: 13 set. 2021.
ENCICLOPÉDIA Verbo Luso-Brasileira de Cultura, Edição século XXI. Lisboa/São Paulo: Editora Verbo,1999.
ESTEVES, Phillipe Marcel da Silva. Apagamentos, silenciamentos, insucessos: enciclopédias brasileiras. In: Biblioteca Nacional. Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, ABNRJ, 2016. Disponível em: https://bit.ly/3C7yKpN. Acesso em: 13 set. 2021.
TRAÇA, Livraria. Livros usados - Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (em 21 volumes). c2021. Editorial Verbo. Livro em português de Portugal e português do Brasil. Disponível em: www.traca.com.br/livro/4473. Acesso em: 13 set. 2021.