Resenha dos Textos da Professora Brasilina
Postagem realizada em: 27/09/2021 às 19:43:03
Autor: Karina Pereira
Resenha Crítica 1
PASSARELLI, B. Do mundaneum à web semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DataGramaZero, v. 9, n. 5, 2008. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/6370. Acesso em: 20 set. 2021.
A autora inicia seu texto fazendo um panorama sobre Paul Otlet e sua importância para a Ciência da Informação, passando por uma breve biografia de seus feitos para a área e denominando-o como o futurista que foi, prevendo como seria nossa atual rede de conhecimentos (web of knowledge): a internet. Otlet foi um visionário que tinha a intenção de reunir todo o conhecimento humano. Em seu tempo foi bem longe em seus planos e teve ótimas conquistas e apesar de não ter dado certo do jeito que ele previra, têm-se hoje a Ciência da Informação e a Biblioteconomia com o objetivo de reunir e sistematizar esses conhecimentos para que todos tenham acesso à informação.
A seguir, tem-se um resumo sobre a trajetória da internet como a conhecemos hoje. Desde sua primeira geração, a Web 1.0, caracterizada pela baixa interatividade, a Web 2.0, que a autora afirma que é a geração contemporânea na época da publicação do texto, em 2008, caracterizada principalmente pela interatividade a partir das redes sociais. A partir disso, ela introduz o conceito de Web Semântica sendo esta a 3 geração, ou Web 3.0, caracterizada pela busca e auto-reconhecimento a partir de metadados. Sobre essa geração, ela afirma que ainda é inexistente e que ainda estaríamos nos encaminhando para essa nova realidade, citando a linguagem RDF e plataformas que permitem o etiquetamento do conteúdo on-line pelos próprios usuários.
Na época da publicação ela afirma que “Esta tecnologia ainda não existe” (pág. 5, PDF), mas hoje no contexto da leitura do texto em 2021, se não se pode dizer que essa tecnologia já é possível, pode-se afirmar que as tecnologias já avançaram enormemente em direção à essa realidade. Especialmente no campo da Ciência da Informação, a Web Semântica é amplamente discutida, assim como as tags tem sido cada vez mais estudadas nesse meio acadêmico.
A internet permitiu um novo formato de comunicação não-linear e cada vez mais interativo em que os usuários puderam se manifestar e participar ativamente da construção desse ambiente de informações tanto informais como acadêmicas e científicas. A Professora Brasilina discute, a partir disso, a questão de autoria e autoridade dos conteúdos disponíveis na web.
Para trazer a reflexão acerca deste tema, Brasilina traz como exemplo supremo a Wikipedia, a maior enciclopédia aberta virtual, em que todos os usuários podem contribuir, acrescentando novos conhecimentos à plataforma. Questionando então, a validade dessas informações, ela traz estudos que comprovam que a assertividade dessa enciclopédia aberta para as enciclopédias tradicionais é mínima, apesar desse debate ainda estar longe de terminar. É senso comum que a Wikipédia não é uma plataforma “confiável” quando o assunto são trabalhos acadêmicos. Numa palestra na disciplina da professora Ivete, foi possível ter contato com a palestrante que trabalhava na Wikipédia e por isso, explicava o processo de inclusão de novos verbetes e mostrando como as informações estavam linkadas e tinham suas referências devidamente indicadas na página.
Brasilina traz também trechos em que se discute a autoria dessas informações na web e não apenas sua legitimidade. Confronta-se com o anonimato e a invisibilidade de milhões e milhões de autores que publicam conteúdo na internet como uma “morte do autor individual” (pág. 9, PDF).
O texto traz grandes reflexões sobre essas questões ainda que o debate siga aberto para discussão. Se as informações que estão na internet são confiáveis ou não, legítimas ou não, o trabalho acadêmico está fundamentado nessa lógica de pesquisa de tentativa e erro, de pesquisar, fundamentar o que se está disponível, importante tarefa que profissionais da Ciência da Informação devem se encarregar para garantir a todos a disponibilidade de conhecimento que deve ser um direito mundial.
Resenha crítica 2
Junqueira, Antonio Helio, e Brasilina Passarelli. “A Escola do Futuro (USP) na construção da cibercultura no Brasil: interfaces, impactos, reflexões.” LOGOS 34, vol. 34, no. 1, 2011, pp. 62-75. Logos UERJ, http://www.logos.uerj.br/. Acesso em: 10 Set. 2021.
Esse artigo traz em seu início os adventos da internet no Brasil que ocorreu simultaneamente junto com o desenvolvimento de um grupo de pesquisa de tecnologias aplicadas na USP. Com essa introdução, são apresentados também dados sobre o número de usuários tanto de equipamentos tecnológicos como os computadores pessoais, quanto de usuários da internet em si. Esse grupo de pesquisa é o NAP EF- USP - Núcleo de Pesquisa das Novas Tecnologias Aplicadas à Educação Escola do Futuro e logo no início, os autores afirmam que “o NAP EF/USP empenhou-se em acompanhar a evolução da cibercultura no Brasil, realinhando, de forma permanente, suas trajetórias, diretrizes e os embasamentos teórico-metodológicos de suas ações e pesquisas.” (pág. 64).
A explosão do uso dessas novas ferramentas fez surgir dois momentos não apenas no Brasil, como também nos países onde a utilização da internet foi se tornando cada vez mais comum. Num primeiro momento, a inclusão das pessoas nesse novo meio de comunicação se tornou prioridade com medidas como fornecimento de acesso e infraestrutura. Já num segundo momento, a importância se voltou para o impacto das novas tecnologias na vida cotidiana das pessoas, despertando o interesse de grupos de estudo tal qual o NAP EF/USP, que buscaram outros vieses para se investigar esse fenômeno comunicacional a partir de outro enfoque que entre vários, “se elegeram as perspectivas emergentes das literacias informacionais e da etnografia virtual como posturas e lugares privilegiados para o estudo do conjunto das novas práticas sociais no ambiente virtual e a produção individual e coletiva do conhecimento na web 2.0.” (pág. 64)
No texto, os autores priorizam o uso do vocábulo “literacia” para se referir ao uso das novas TIC 's. Dentre outras palavras, esta foi a que julgaram mais pertinente para fazer essa referência conceitual ao uso e apreensão dessas novas tecnologias por parte dos usuários. Eles citam Paul Gilster para corroborar essa tese, afirmando que o termo “literacias digitais” referencia adequadamente o uso das redes, tanto em seu nível social, ou de habilidades motoras, mas também cognitivas que permitiu maior autonomia das pessoas para analisar de forma crítica as informações recebidas através deste meio. Portanto, o termo “literacias digitais” devem ser entendidas no plural tanto pela evolução e convergência dessas tecnologias de modo que esse aprendizado se torna múltiplo e constante.
O Nap se concentra no estudo das práticas sociais nas redes para delinear um perfil cultural de usuários, não se limitando porém, na coleta de dados, mas também na análise crítica que vai além da descrição sistemática dos usuários. Além disso, o recorte principal de suas pesquisas é a relação das TIC 's com a educação formal e não formal, não se limitando ao escopo teórico, mas almejando também “a construção da cidadania e do protagonismo digital dos públicos beneficiários”. (pág. 68)
O artigo dá exemplos de programas que foram projetados para mitigar as desigualdades sociais no âmbito das literacias digitais e explana um pouco sobre eles, incluindo o Programa Rede EntreMeios São Bernardo do Campo que foi estruturado por meio do convênio entre o NAP e a Prefeitura de São Bernardo do Campo.
Em suma, o NAP e o Observatório da Cultura Digital acompanhou o desenvolvimento da cibercultura no Brasil, interessando-se e desenvolvendo tanto a inclusão digital dos usuários quanto investindo em pesquisas teórico-metodológicas que contribuem para um olhar mais completo sobre essa realidade impactando diretamente na criação de ferramentas que colaboram para as melhorias nas redes.