RI II 2022 - Resenhas dois
Postagem realizada em: 12/04/2022 às 21:38:38 - Última atualização em: 12/04/2022 às 21:46:44
Autor: Nicole Bonassi de Oliveira
Título: a tecelagem de uma nova rede
Interconectividade. Caso uma palavra definisse o momento atual da humanidade, esta seria ela. O futuro já chegou, e a formação de redes entre as pessoas aumenta constantemente, assim como a troca de informações entre as percepções do corpo humano e a criação de tecnologias em máquinas, como destaca Kerckhove, “[...] considerado um dos mais importantes estudiosos das relações entre tecnologias digitais e sociedade. É professor da University of Toronto, onde dirigiu por mais de 20 anos o Programa McLuhan em Cultura e Tecnologia” (PASSARELLI, 2015, p. 232).
Sob tal contextualização, o artigo Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte, produzido em 2015, faz o levantamento da inserção digital a partir da cultura brasileira, destacando como uma nova forma de comunicação regada pela tecnologia fundiu-se à produção de conhecimento no país, abordando, para tanto, fatos histórico-sociais.
A primeira protagonista a surgir na confecção da sociedade em rede é a mediação, considerada “[...] uma ponte entre duas tradições desde os primeiros tempos dos estudos de new media nas décadas de 1970 e 1980 [...]” (PASSARELLI, 2015, p. 233), haja vista que o conceito é polissêmico e ajudou na incorporação de novos usos na sociedade. Isto é, aparelhos de mídias digitais tradicionais, como a televisão, o rádio e o telefone, por exemplo, passaram a ser vistos como meios comunicacionais viáveis à tecnologia digital, passíveis de encaminhar informações para mais lugares e pessoas.
Neste sentido, os avanços sobre a temática crescem constantemente, e pesquisadores como Nicky Couldry, Sonia Livingstone e Roger Silverstone (PASSARELLI, 2015) são nomes que alimentam a área. Contudo, há relatos de que grandes nomes da história já haviam iniciado buscas entorno da informação e formação de redes, como Nicolaus Copernicus, Charles Darwin, Sigmund Freud e, mais recentemente, Alan Turing, como posto por Floridi (PASSARELLI, 2015).
O professor Floridi destaca ainda que “na sociedade contemporânea conectada a comunicação não é importante por ser ciência, mas sim por ser interface. O desafio dos meios de comunicação é identificar como ser relevante numa economia conectada em rede” (PASSARELLI, 2015, p. 235-236). Ou seja, os dispositivos midiáticos devem ser mútuos, atuando em rede para distribuir, adequada e qualificadamente, as informações que somarão à sociedade, ajudando a expandi-la cada vez mais.
Para tanto, observa-se que dois núcleos temáticos preenchem a discussão acerca da sociedade das redes midiatizadas: a mediação e a utilização de novos termos para difundir informações. Na Biblioteconomia convencional, especialmente em áreas voltadas à educação e expansão cultural, a mediação é vista como o suporte empregado pelo bibliotecário ou educador que visa conscientizar o seu usuário sobre as suas atuações dentro de um determinado contexto, este cujo sujeito já é conhecedor (AZEVEDO; OGÉCIME, 2019). Já no hibridismo contemporâneo, a mediação ganha outra conotação, passível de diversas interpretações que inclusive elucidam aos seus suportes materiais.
Enquanto isso, o uso das palavras aplicadas em contextos específicos também é estudado dentro da Biblioteconomia tradicional, como pelas terminologias. Assim, termos como new media ou media literacy surgem como informações sobre informações dentro do campo, contribuindo para o enriquecimento terminológico de pesquisadores e usuários das redes.
Por fim, recorda-se que as discussões levantadas pelo artigo Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte estão apenas em processo de construção, dado que as mídias digitais e o uso tecnológico evoluem constantemente, assim como a tecelagem de uma rede.
Referências
AZEVEDO, K. R. de; OGÉCIME, M. O papel do bibliotecário como mediador da informação na busca pelo letramento informacional. RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, SP, v. 18, n. 00, p. e020001, 2019. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/8654473. Acesso em: 12 abr. 2022.
PASSARELLI, B. Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte. Ciência da Informação, [S. l.], v. 43, n. 2, 2015. Disponível em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1406. Acesso em: 12 abr. 2022.
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Título: móvel
Assim como o livro, os computadores de mesa são apenas suportes materiais e, atualmente, esses vêm sendo substituídos por dispositivos móveis, principalmente após a pandemia de COVID-19, cujo isolamento social só não se tornou tão severo graças aos celulares e tablets, presentes em todos os ambientes e entre todas as idades. No entanto, os jovens se destacam entre os usuários que mais utilizam as tecnologias móveis, pois
as novas gerações estão mais propensas a se informar, se entreter, se relacionar e trabalhar com base na mediação das novas plataformas móveis, diferentemente de gerações anteriores que, apesar de também fazerem o uso dos smartphones e tablets, possuem um repertório amplo de uso de mídias mais tradicionais e optam, por vezes, por outros tipos de mediação tecnológica (PASSARELLI; ANGELUCE, 2018, p. 198).
Um ótimo exemplo para tal uso é a imersão em redes sociais, como o WhatsApp e o Tik Tok, ferramentas que veiculam tanto informações educacionais quanto entretenimento, mas que necessitam ser vigiadas para não disseminar as chamadas fake news, comuns em redes sem mediação adequada.
Para tanto, por ser um equipamento de fácil transporte e acesso, os smartphones e tablets são utilizados cada vez mais também nas escolas, onde o ensino está em adaptação para melhor utilizar a linguagem jovial, como no caso das escolas municipais da cidade de Osasco, que ganharam, em 2019, lousas digitais para facilitar a rotina de ensino – em especial de crianças – (ESCOLAS…, 2019).
Além do mais, o aumento do consumo de dispositivos móveis associa-se à “[...] busca por empoderamento e inclusão; por novas sociabilidades e afeições psicológicas; por práticas de entretenimento e acesso aos bens culturais” (PASSARELLI; ANGELUCE, 2018, p. 198), principalmente entre os adolescentes, que estão em busca do entendimento sobre as suas identidades. Neste caso, o papel da escola torna-se crucial para oferecer a mediação informacional adequada, cabendo a esta ensinar como os alunos podem usar a internet de maneira consciente.
Neste seguimento, celulares e tablets, diferente dos computadores fixos, também são meios de compartilhamento cultural através de imagens, haja vista que os detentores de smartphones conseguem registrar fotografias em qualquer lugar, as enviando para todas as partes do mundo, colaborando com a “[...] prática da selfie e cultura da imagem [...]” (PASSARELLI; ANGELUCE, 2018, p. 200, grifo do autor), uma nova linguagem que move as gerações atuais.
Por conseguinte, mostra-se clara a transição de uso dos suportes digitais fixos para os móveis na sociedade atual, especialmente pelo largo uso dos jovens, usuários assíduos das redes sociais, como o Tik Tok, que foram impulsionados pela recente pandemia de COVID-19, exigindo também das escolas um novo posicionamento tecnológico e a atuação como agente de mediação informacional.
Referências
ESCOLAS municipais de Osasco ganham lousas digitais. Correio Paulista. 2019. Disponível em: https://correiopaulista.com/escolas-municipais-de-osasco-ganham-lousas-digitais/. Acesso em: 12 abr. 2022.
PASSARELLI, B; ANGELUCE, A. Conectividade contínua e acesso móvel à informação digital: jovens brasileiros em perspectiva. Informação e Sociedade (Online), v. 28, n. 02, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/capa/. Acesso em: 12 abr. 2022.