Metaverso: Realidade Virtual e Realidade Aumentada nas bibliotecas
Postagem realizada em: 29/04/2022 às 19:35:44 - Última atualização em: 30/04/2022 às 13:50:43
Autor: Brenda Melo
Com o advento da internet a realidade contemporânea foi modificada e adaptada aos ambientes virtuais. Assunto que é extensamente retratado nos artigos a respeito da mediação da informação em dimensão global e do acesso móvel à informação digital no Brasil, trazendo luz à importância da literacia digital e de um acesso amplo à internet dentro do contexto de hiperconectividade da sociedade atual. O campo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação tem relação direta com a otimização dos recursos digitais, acompanhando os processos e se habituando às novidades dessa área. O próximo passo dessa discussão envolve o universo metaverso e quais são e como se dão as suas presentes e futuras formas de apresentação dentro da Ciência da Informação.
Comecemos pelas definições de metaverso: "[...] são realidades diferentes, alternativas, criadas artificialmente, mas são percebidas pelos nossos sistemas sensórios da mesma forma que o mundo físico à nossa volta: podem emocionar, dar prazer, ensinar, divertir e responder às nossas ações, sem que precisem existir de forma tangível." (TORI, HOUNSELL & KIRNER, 2018, p. 9 apud ARAUJO, 2021, p. 5). Em outras palavras, o termo se refere a um ambiente virtual imersivo e hiper-realista, onde é possível socializar e conviver com outras pessoas através de avatares 3D. O metaverso é tido como a evolução da internet conforme a conhecemos.
Apesar de bastante associada ao universo dos jogos que permitem o acesso a um ambiente virtual compartilhado no qual é possível construir uma vida inteira para seu personagem, essa realidade aumentada pode ser também empregada em outros campos da vida do ser humano, permitindo-o trabalhar, socializar, fazer compras, ir a shows, e até mesmo viajar. É isto que pretende Mark Zuckerberg, que em 2021 anunciou não só a mudança de nome da empresa Facebook para Meta, como declarou que o foco da empresa seria em no mercado de realidade virtual (VR) e realidade aumentada (VA). Não só o Facebook, como diversas outras empresas em diferentes ramos têm investido na realidade virtual trazendo benefícios e facilidades para as áreas da Medicina, Indústria, Arquitetura, E-commerce, etc.
Como essa realidade virtual pode, então, ser executada dentro da Biblioteconomia? É possível aplicá-la às bibliotecas? Isso já vem sendo feito? É importante considerar as dificuldades que rodeiam essa iniciativa: muitas das tecnologias necessárias para a execução do metaverso ainda não foram desenvolvidas e as já existentes são pouquíssimo acessíveis à população em geral.
Busquemos nossas respostas por meio do artigo publicado pelo bibliotecário Romeu Righetti de Araujo, onde é feito um levantamento acerca do cenário atual da realidade virtual e realidade aumentada dentro das bibliotecas e como se dá o emprego dessas ferramentas. No caso da realidade virtual, existem alguns obstáculos: além da pouca variedade de conteúdos educacionais disponíveis a todos, o que prejudica o nível de adesão de estudantes e pesquisadores aos recursos, questões como difícil manutenção, demora no treinamento para uso e falta de ambientes exclusivos para o serviço de RV também obstaculizam o uso prático dessas ferramentas. Ademais, o número de headseats disponíveis para uso devem ser em grande número (o que requer um alto orçamento) dado que o uso das RV é individual e normalmente se dá através de um smartphone. De acordo com a bibliotecária da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT), essa questão também traz limitações com o uso dos headseats RV em workshops ou palestras.
Já a realidade aumentada tem sido aplicada em bibliotecas do Canadá, como a Biblioteca do Parlamento Candense e a McGill de Montreal, e na Biblioteca Municipal de Palo Alto na Califórnia. A primeira fez uso da RA através de um recurso de visualização em 3D de uma estátua da rainha Victoria, fornecendo aos seus visitantes o acesso à estrutura arquitetônica. Já a segunda realizou uma série de testes com RV e RA, com o intuito de futuramente permitir o acesso a um grande catálogo de artefatos históricos através das lentes de RA; porém, os testes mostraram que, após curiosidade inicial, há uma falta de interesse contínuo das pessoas nessas ferramentas. A última, desenvolveu um conteúdo em RA para um evento de tecnologia que buscava tornar a experiência dos convidados mais inspiradora.
Para Ruiz, Hernández e Peña o uso da RA nas bibliotecas torna possível, não só a busca de uma informação em um banco de dados, como também a obtenção da localização física de uma publicação por meio do uso de RA com sistemas de posicionamento global (GPS). Ressaltam que esse recurso reduz o tempo de trabalho dos profissionais, aumenta a precisão e a produção de inventários de livros com mais confiabilidade, além de aumentar a atratividade das bibliotecas aos seus visitantes (2019 apud ARAUJO, 2021, p. 8).
Araujo conclui que apesar do interesse das instituições na implementação de recursos de RA e RV nas bibliotecas, esses processos estão em sua maioria ainda em fase embrionário. E que apesar de haver uma ampla área a ser explorada nesse campo, é preciso maior planejamento orçamentário para o investimento nessas tecnologias, além da necessidade do desenvolvimento aprimorado de aplicações que não se limitem somente ao entretenimento, mas que atinjam os propósitos educacionais desejados, e que estejam alinhados com as práticas profissionais das bibliotecas.
REFERÊNCIAS:
ARAUJO, Romeu Righetti de. Realidade virtual e realidade aumentada em bibliotecas: viabilidades de aplicação. Biblionline, João Pessoa, v. 17, n. 2, p. 3-11, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/view/59678/34136