Aula 5 - Novas perspectivas para o bibliotecário (25/04)


Pode-se entender a Biblioteconomia como uma das profissões mais antigas do mundo, e que, embora tenha passado por inúmeras transformações com o passar do tempo, por grande parte de sua história foi uma área relacionada diretamente com livros e documentos físicos. No século passado, o surgimento da internet e dos materiais digitais foi certamente uma preocupação muito grande para os profissionais, que, acostumados a lidar com um determinado tipo de suporte, teve de conhecer, aprender e se adaptar para novos suportes nunca antes vistos. 

Este cenário pode ser considerado ainda muito recente, especialmente ao considerarmos o contexto brasileiro. Ainda hoje não é incomum encontrar bibliotecários que se mostrem resistentes a abandonar uma chamada “Biblioteconomia tradicional” e a estarem dispostos a se relacionar com as novas configurações e possibilidades de fazer uma Biblioteconomia na atual era digital. 

Acredito que atualmente nos encontramos em um cenário parecido ao do século XX quando nos deparamos com as novas tecnologias e o que elas tem a oferecer para a nossa profissão. Os novos recursos tecnológicos nos apresentam novas possibilidades e, ao mesmo tempo, grandes desafios. Diante disso, existem algumas alternativas para lidarmos com este panorama: podemos nos posicionar de maneira resistente e ignorar os novos avanços até que não seja estritamente necessário utilizar as novas tecnologias, ou podemos desde já utilizarmos os recursos que temos disponíveis para nos prepararmos para uma nova era da informação e, assim, preparar o terreno para as novas possibilidades profissionais no nosso campo de atuação. 

Cabe salientar, então, a relevância das universidades neste contexto. Para os cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação, é mais do que necessário incluir nas grades curriculares disciplinas que abordem e preparem os alunos para as novas tecnologias, e que os façam pensar as mais variadas oportunidades de atuação, não apenas tratando de atuação para além das bibliotecas, mas também as várias possibilidades que existem para as próprias bibliotecas. Amaral et al. (2022, p. 459) retratam este cenário dizendo que “entre as diversas oportunidades para inovar em bibliotecas, a internet das coisas (IoT) destaca-se por possibilitar que os espaços físicos se tornem mais interativos e os serviços ofertados mais personalizados (HAHN, 2017), visto que a IoT possui a capacidade de promover a criação de novos serviços e a melhoria das condições do ambiente físico e dos serviços da prestados pela biblioteca”. 

As novas perspectivas tecnológicas não devem ser encaradas pelos profissionais como distantes; devem ser sim pensadas e é essencial ao profissional da informação considerar todos os desafios que uma nova era informacional apresenta. No entanto, é imprescindível pensar que as tecnologias não virão para substituir tudo o que e como conhecemos atualmente, e sim que podem ser aliadas essenciais para a realização de melhorias em tarefas que já são realizadas, e também para o surgimento de novos serviços e recursos que melhor atendam aos usuários. 


AMARAL, F. V.; JULIANI, J. P.; BETTIO, R. W. de. Internet das coisas em bibliotecas: proposta de um sistema para monitoramento de ruído para bibliotecas. Em Questão, Porto Alegre, v. 28, n. 1, p. 458–483, 2021. DOI: 10.19132/1808-5245281.458-483. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/109371. Acesso em: 4 maio 2022.
 


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