Considerações sobre 'bases de dados'


->Comunicação Científica?

    Do disposto por pesquisas históricas, podemos dizer que o início da comunicação científica data no Renascimento europeu (séculos XV e XVI), cuja troca cultural, política, social e científica surge da necessidade de recuperação econômica da Europa, através dos desenvolvimentos e inovações tecnológicas. Paralelamente às novas formas de organização das áreas do conhecimento - aqui apontamos, para maiores aprofundamentos, a leitura do texto de Peter Burke: ‘Uma História Social do Conhecimento: de Gutenberg a Diderot’ principalmente seu capítulo 5 que versa sobre a classificação do conhecimento -, a atividade científica também passa a ser organizada em academias e sociedades por intelectuais interessados nas ciências. Mas também havia colégios invisíveis! Sua formalização vinha das “redes informais de cientistas criadas pelo contato presencial e por correspondência privada, que constituíram um fator crucial para o desenvolvimento das revistas científicas”.  (BORREGO, 2017; p. 19, 20; tradução nossa)

     As cartas privadas eram o principal veículo de comunicação dos descobrimentos científicos (KRONICK, 2001 apud BORREGO, 2017; p. 20; tradução nossa), mas como se tratavam de ligações pessoais, o círculo de contatos (naturalmente) era reduzido, mais lento e limitado. E quanto aos livros, mesmo que pudessem ser os meios mais adequados para apresentar a trajetória e os resultados de experimentos ou observações, era necessário para a época, que houvesse um volume suficiente que justificasse a publicação e o gasto com edições. e ainda mais, contar com um mercado comprador suficiente. (JOHNS, 1998; p.447 apud BORREGO, 2017; p. 20; tradução nossa)

     Diante desse cenário é que vão surgir as primeiras revistas científicas: a francesa ‘Journal des Sçavans’ (semanal) e a britânica ‘Philosophical transactions’ (mensal), ambas de 1665. (BORREGO, 2017; p. 20;21; tradução nossa) E, para além dessas revistas, outras mais ganharam visibilidade com o passar dos anos, tal como a Nature (1869) e Lancet (1970), que consolidaram e elevaram o nível das discussões, parâmetros sobre a comunicação científica, como por exemplo:  procura por conteúdos relevantes e recentes; atualização constante; revisão por pares; trabalho de evitar plágios nos trabalhos científicos; entre outros.

     

-> E onde as Bases de Dados se integram diante de tal questão?

     No breve histórico disposto dor Dudziak (2021), temos que há uma relação entre a criação de Índices e Bases de Dados, e ambos voltavam-se essencialmente ao levantamento bibliográfico quantitativo e qualitativo da produção científica, sempre de encontro ao desenvolvimento de técnicas voltadas a um maior alcance e propagação de informações científicas relevantes.

 “1810: “Plano para uma Bibliografia Universal” – Martin Schereltinger: Índices bibliográficos impressos gerados a partir de catálogos de bibliotecas; 1879: Index Medicus; 1884: Engineering Index; 1907: Chemical Abstract; 1946: Excerpta Medica; 1960: Medical Literature Analysis and Retrieval System (MEDLARS), Scientific and Technical Aerospace Reports (NASA), Institute for Scientific Information (ISI); 1971: Medline; 1972: Embase.” (DUDZIAK, 2021)

      Além disso, numa visualização-síntese quanto a evolução das Bases de Dado, temos: “1951: Bases de dados numéricos; 1960: Bases de dados bibliográficos; 1970: 10 Bases disponíveis em 2 Bancos de dados (acesso on line); 1986: Bases em suporte de CD-ROM; 1990: 3.200 Bases hospedadas em mais de 40 Bancos de Dados (acesso em rede): Dialog (+ 380 Bases) ; Orbit (+ 80 Bases) ; Questel (+ 40 Bases); 2000: Milhões de computadores ligados em rede; Globalização da informação.” (ECA-USP)

     Do inglês, ‘Database”, as Bases de Dados são “conjunto de dados interrelacionados, organizados de forma a permitir a recuperação da informação. Armazenadas por meios ópticos ou magnéticos como discos e acessadas local ou remotamente” com objetivo de “fornecer informação atualizada (recursos estruturais), precisa e confiável (não dar a informação pela metade) e de acordo com a demanda (oferecer o que o usuário necessita).” O conjunto de bases de dados são denominados Bancos de Dados. (ECA-USP recurso online) 

A Classificação para bases de dados baseadas nas obras referenciais de Cunha (1994) e Rowley (2002)  (apud CATIVO, c. 2017), pode ser:

1) Bases de dados Referenciais 

Remetem às fontes primárias e  podem ser:

  • a) de Dados Bibliográficos: Incluem citações bibliográficas acompanhadas ou não dos resumos dos trabalhos publicados.
  • b) de Dados Catalográficos: representam o acervo de uma biblioteca ou de uma rede de bibliotecas, sem indicação do conteúdo dos documentos. Representam o acervo de uma biblioteca ou de uma rede de bibliotecas, sem indicação do conteúdo dos documentos. Os OPACS (acrônimo de Online Public Access Catalogs) são exemplos de bases de dados catalográficos.
  • c) de Diretórios: informações ou dados sobre pessoas, instituições e outros dados característicos de guias e cadastros. 

2) Bases de Dados de Fontes

Contém os dados originais e textos completos; constituem um tipo de documento eletrônico. Podem ser: 

  • a) Numéricos: Incluem dados numéricos e estatísticos;
  • b) de texto completo: Contém notícias de jornal, especificações técnicas, artigos de periódicos, textos de dicionários, etc. Algumas bases de dados textuais incluem dados numéricos, como os relatórios anuais de empresas, enciclopédias, etc. O acesso é feito direto no próprio endereço ou através de programas específicos (gratuíto ou por assinatura); 
  • c) textuais e numéricos: Mistura de dados textuais e numéricos. Ex.: Relatórios Anuais de Empresas;
  • d) de dados gráficos: Apresentam fórmulas químicas, imagens, logotipos. Ex.: Trademarkscan (marcas comerciais patenteadas nos EUA).

-> Quais critérios podemos considerar essenciais para avaliar bases de dados?

Do disposto na plataforma do Nexus pela professora doutora Brasilina Passarelli, graças a estudos prévios, é possível adotar tais fatores como critérios centralizadores de avaliação e de recuperação em Base de Dados:

-CRITÉRIOS A SEREM UTILIZADOS (*ROWLEY)

  • Cobertura: assunto e tipo de material adequados; abrangência duplicidade e outros serviços
  • Tipo de base de dados: referencial, de fonte
  • Atualidade: período coberto pela base e/ou desde quando se acha disponível e freqüência de atualizações
  • Saída: conteúdos das referências – qualidade dos resumos; forma (ficha, microforma, papel); em linha ou fora de linha; extensão da saída
  • Linguagem de indexação: variedade de pontos de acesso ou campos pesquisáveis, em termos de desempenho de recuperação almejado
  • Custo: quem vai pagar, como distribuir custos
  • Documentação e instrumentos auxiliares de busca: manuais, help, informações sobre sistemas de classificação, tesauro, manuais de treinamento, etc.
  • Formato de registro e estrutura da base de dados

-RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM BASE DE DADOS

  • Linguagem de busca: controlada, natural, livre
  • Lógica de busca (booleana): combinação de termos enunciados com operadores: e/* (conjunto); ou/+ (aditiva); não/e não (subtrativa)
  • Passos da recuperação: definir os termos; relacionar os termos; mostrar estratégias
  • Interface de acesso: seleção de menus; linguagem por comando; interface WIMP (WINDOW/ICON/MOUSE/ POP UP MENU); preenchimento de formulários; perguntas e respostas
  • Recursos de recuperação: básicos (help, janelas, comandos); seleção de termos de busca (índice de palavras); entrada de termos de busca (vocabulário controlado); combinação de termos; escolha de campos; truncamentos; expressões de proximidade; limitações de amplitude; gerenciamento de buscas; opções avançadas de exibição (texto completo); busca de múltiplos arquivos; exibição de tesouro; hipertextos (links com outros registros)

 

Referências:

Bases de dados. Disponível em: http://www2.eca.usp.br/prof/sueli/cbd201/bases.htm. Acesso em 22 jun. 2022.

BORREGO, Ángel. La revista científica: un breve recorrido histórico. 2017 In: Revistas científicas: situación actual y retos de futuro. Universitat de Barcelona, p. 19-34. [capítulo de livro]. Disponível em: http://eprints.rclis.org/32129/ Acesso em: 08 set. 2021.

BURKE, Peter. Cap. V – A Classificação do Conhecimento: Currículos, Enciclopédias e Enciclopédias. In: BURKE, Peter. Uma História Social do Conhecimento: de Gutemberg a Diderot. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro. [200?]. 

CATIVO, Jorge. Bases de dados: conceito, classificações, critérios, aspectos importantes e exemplos. In: Blog - Biblioteconomia Digital. [c. 2017]. Disponível em: https://biblioteconomiadigital.com.br/2017/12/bases-de-dados-conceito-classificacoes.html. Acesso em: 23 jun. 2022.

CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Base de Dados (p. 43). In: Dicionário de biblioteconomia e arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008. xvi, 451 p.

CUNHA, Murilo Bastos da. Bases de Dados no Brasil: um potencial inexplorado. Ciência da Informação, v. 18, n-1, p. 45-57, jan./jun. 1989

CUNHA, Murilo Bastos da. As tecnologias da Informação e a integração das bibliotecas brasileiras. In: ROWLEY, Jenifer. Informática para bibliotecas. Brasília: Briquet de Lemos/Linos, 1994.

DUDZIAK, Elizabeth A. Base de Dados: Ciências da Saúde e Ciências “Duras”. In: Apresentação de seminário. (2021)

ROWLEY, Jennifer. Base de dados. In: __. A biblioteca eletrônica: segunda edição de informática para bibliotecas. Brasília: Briquet de Lemos, 2002. cap. 5.


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