Postagem realizada em: 30/09/2008 às 10:45:19 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Leonardo Ortiz Matos
Dado-Informação-Conhecimento
Quando a professora pediu dias atrás para que encontrássemos definições de dado, informação e conhecimento e postássemos tais definições no blog, confesso que fiquei bastante preocupado, pois não sou aluno do curso de biblioteconomia e nunca havia antes pensado na diferença entre esses três termos. Por isso, bateu um medo de dizer alguma coisa errada no meio de tantos futuros bibliotecários.
Assim, resolvi não me arriscar abrindo livros que exigiam um background que eu não tenho e parti logo para o texto instrumental e introdutório “O que é Documentação”, escrito por Johanna Smit, que por sinal formou-se na ECA. A obra faz parte da famosa coleção Primeiros Passos, que tem como objetivo introduzir o aluno à questões científicas de forma simples e direta. Entretanto, ao terminar de lê-lo, ainda não tinha uma definição na minha cabeça da diferença entre os três termos, pois a autora não se atém a eles e preocupa-se mais em mostrar como funciona o processo de documentação, assunto interessante que, por eu não da área, ainda desconhecia. O máximo que encontrei no livro foi a definição de informação, que pode ser entendida, numa abordagem mais simplificada, como “matéria prima e o produto acabado do processo de pesquisa e desenvolvimento”. Assim, a informação é um bem comum, ao qual todo mundo tem direito, mas que, por razões ora ideológicas, ora econômicas, acaba não atingindo a todos. Logo em seguida, a autora insinua que a questão da informação é um pouco mais complexa do que parece, quando coloca-se em análise o vocábulo conhecimento. Entretanto, ela não chega a explicar o porquê dessa complexidade.
Como ainda tinha uma idéia vaga, resolvi procurar os termos no dicionário eletrônico Houaiss, que me deu algumas definições que poderiam funcionar como pistas:
Dado: (...) 9. resultado de investigação, cálculo ou pesquisa.
Informação: (...) 2. o conhecimento obtido por meio de investigação ou instrução; esclarecimento, explicação, indicação, comunicação, informe. (...) 6. conjunto de atividades que têm por objetivo a coleta, o tratamento e a difusão de notícias junto ao público. (...) 8. elemento ou sistema capaz de ser transmitido por um sinal ou combinação de sinais pertencentes a um repertório finito.
Conhecimento: 1. o ato ou a atividade de conhecer, realizado por meio da razão e/ou da experiência. (...) 2.1 domínio, teórico ou prático, de um assunto, uma arte, uma ciência, uma técnica etc.; competência, experiência, prática.
Assim , ainda sem respostas precisas, já que o dicionário não apresenta apenas as definições cientificas de uma palavra, procurei os termos na internet e acabei encontrando, após muitas pesquisas, o nome de um livro que continha as definições: “Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual” , de Thomas Daveport e Laurence Prusak. Com o livro em mão, pude finalmente encontrar as definições que procurava, pois logo no início da obra, ainda no primeiro capítulo, os autores fazem questão de frisar a diferença de cada uma dessas palavras.
A partir das definições, podemos entender os dados como “um conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos”, sendo muitas vezes apenas quantitativos. Eles, por si só, não têm um significado inerente, apenas descrevem o que aconteceu. Por exemplo, a ficha de um usuário de uma biblioteca mostra apenas que um livro foi retirado e que ele deve ser devolvido até certa data; ou seja, a ficha é apenas uma fonte de dados.
Já a informação seria aquilo que se pode extrair a partir da interpretação de dados; ou seja, é aquilo que realmente faz a diferença para quem analisa dados. É algo qualitativo, capaz de transmitir mensagens. Com ela, é possível contextualizar dados, categorizá-los, trabalhá-los estatisticamente, corrigi-los e condensá-los. Usando o mesmo exemplo acima, a informação seria, por exemplo, o resultado da catalogação de todos os livros emprestados de uma biblioteca em um dado período de tempo feita a partir das fichas de cada usuário.
Por fim, pode-se entender o conhecimento como algo mais amplo, profundo e mais rico do que dados ou informação. Ele “é uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações”. É uma mistura de vários elementos, existentes dentro de nós e que fazem parte da complexidade humana. Derivado da informação trabalhada intelectualmente a partir de comparações, conexões e conversações, ele está estruturado nos livros e documentos. Assim, uma obra que analise, a partir de uma informação obtida previamente, a demanda por certas obras em uma biblioteca corresponderia a uma fonte de conhecimento.
Saber a diferença entre tais conceitos é fundamental para o profissional bibliotecário, pois diferentes públicos precisarão ora de informação, ora de conhecimento e cabe ao gerenciador da biblioteca adequar o seu acervo às necessidades do freqüentador. Dados, por serem fontes totalmente primárias, dificilmente poderão ser encontrados em uma biblioteca, já que uma compilação deles, como em um anuário estatístico, por exemplo, já constitui uma fonte de informação. Já a informação pode ser útil a uma biblioteca caso seus freqüentadores sejam em sua maioria pesquisadores, pois tais pessoas a trabalham diretamente com o intuito de gerar novas interpretações partir do conhecimento previamente adquirido. Entretanto, em uma biblioteca visitada majoritariamente por estudantes, seria interessante que o seu bibliotecário investisse mais em fontes de conhecimento, pois alunos ainda estão em um processo de aprendizagem, de apropriação do pensamento já estabelecido, por exemplo.
A partir do que foi levemente esboçado acima, pode-se perceber que a diferença entre dado, informação e conhecimento é uma questão semântica muito mais complexa do que pode parecer a princípio.